Marca Itala regressa à atividade um século depois

Itala 120 HP (1907)

O construtor italiano foi considerado um dos mais inovadores do seu tempo.

Em 2026 assistiremos a uma nova marca nas estradas europeias: a Italia. Trata-se de uma marca histórica italiana que foi comprada pelo DR Automobiles Group. Estima-se que o construtor terá um posicionamento premium, pretendendo recuperar o espírito original.

Fundada em 1903 por Matteo Ceirano, a Itala é considerada uma das marcas mais inovadoras do seu tempo, destacando-se pela qualidade de construção e ficando apenas atrás da Fiat em termos de volume de produção. As suas propostas iniciais incluíram o 16 HP e o 24 HP, que se destacaram na competição, ajudando a aumentar a reputação da Itala em termos de fiabilidade, robustez e performance. Em 1904 foi inaugurada a fábrica em Génova que foi confiada a engenheiros como o Alberto Balocco, cujos carros definiram toda uma era. Entre eles figurava o Itala 100 HP que brilhou na época de 1905, com uma vitória na Coppa Florio, batendo os rivais da Fiat. Já em 1906, venceu a sua primeira Targa Florio. No ano seguinte, veio o triunfo na Peking to Paris, com o Príncipe Scipione Borghese ao volante de um Itala 35/45 HP. Nos anos até à Primeira Guerra Mundial, o sucesso continuou a nível industrial, com a gama a aumentar, acrescentando um design melhorado e um motor que funcionava sem válvulas mecânicas que permitiam melhorar a performance até 25% face aos concorrentes. A busca pela perfeição tecnológica acabou por levar a uma instabilidade na empresa. 

Com a guerra, a Itala teve de produzir motores para aviões Hispano-Suiza, o que obrigou a um enorme investimento. Com o fim da guerra, e sem as encomendas do governo, a marca agravou a sua situação financeira, apesar de estar a produzir modelos elegantes como o 50 e o 51, além do luxuoso 55 de seis cilindros. Na década de 1920, a Itala tentou inverter a situação, com apoio do estado e com a chegada de Giulio Cesare Cappa, o homem que desenhou o sofisticado 61, um modelo tecnicamente avançado mas cuja produção era dispendiosa. Ao mesmo tempo, avançou com projetos visionários tais como os single seaters 11 e 15, que nunca saíram da fase de protótipo. Sem dinheiro, a marca foi absorvida em 1929 pela Società Anonima Officine Metallurgiche e Meccaniche di Tortona, seguindo-se alguns esforços de reestruturação. Uma última tentativa de dar a volta surgiu no início da década de 1930 com a nova Itala SACA, com o ponto final a ser colocado em 1934.

Deixe um comentário

*