O objetivo é levar os fabricantes internacionais a construírem fábricas em solo norte-americano.
O presidente Donald Trump anunciou que aumantará para 25% a taxa sobre a importação de automóveis, uma decisão que a Casa Branca afirma que promoverá a produção nacional. Esta medida, que entrará em vigor a 2 de abril, pretende ainda colocar pressão financeira nos fabricantes que dependem de cadeias de abastecimento globais. Segundo o presidente norte-americano, o objetivo é instigar os fabricantes internacionais a construírem fábricas nos EUA.
Trump atacou as empresas que, durante as últimas décadas, abriram instalações no Canadá e no México, o que, segundo ele, foi feito à custa dos trabalhadores americanos. Sugeriu ainda que, mesmo que os carros contenham peças de fabrico americano, mas não sejam montados nos EUA, continuam a estar sujeitos a tarifas. Na sequência deste anúncio, as ações da Ford desvalorizaram 2%, as da GM 2,3% e as da Stellantis 3%. Esta medida anunciada por Trump pode até afetar os fabricantes americanos, dados que os seus modelos são feitos com componentes vindos de todo mundo – o que significa que também estes estarão sujeitos ao aumento da taxa. Mesmo que venham a ser construídas novas fábricas nos “states”, os preços dos automóveis poderão vir a aumentar e as vendas diminuir à medida que as novas demorem a ser feitas. Aliás, um estudo realizado pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA do ano passado mostrou que as tarifas podem aumentar os preços dos veículos nos EUA em cerca de 5% e que poderá vir a reduzir as importações de carros em quase 75%.
Segundo dados do Bureau of Labor Statistics, pouco mais de um milhão de pessoas estão empregadas no fabrico de automóveis e peças, cerca de menos 320 mil que em 2000. Outros 2,1 milhões trabalham em concessionários de automóveis e lojas de peças. Em 2024, os EUA importaram cerca de 8 milhões de carros e camiões, no valor de 244 mil milhões de dólares. O México, o Japão e a Coreia do Sul foram as principais fontes de veículos estrangeiros. A importação de peças ascendeu a mais de 197 mil milhões de dólares, tendo o México, Canadá e China à cabeça, segundo o Departamento do Comércio.