Smart EQ ForFour

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Este ainda não é um Smart totalmente novo. Mas o facelift operado no início deste ano na atual geração do citadino trouxe uma novidade importante: a transição para uma gama 100% elétrica. Que argumentos tem o ForFour elétrico numa altura em que a concorrência está cada vez mais competitiva?

O que é?

A Smart lançou o seu primeiro modelo elétrico em 2007, por isso tem a tecnologia mais do que consolidada que lhe permitiu arriscar no passo seguinte. Em 2020, o foco passou a ser outro: tornando-se no único construtor generalista dedicado exclusivamente a carros elétricos. Isto significa também que até ao surgimento de uma nova geração de modelos (que serão feitos a meias com a chinesa Geely), previsto arrancar em 2022, perdurará o facelift agora introduzido nos ForTwo e ForFour. As atualizações agora operadas são sobretudo estéticas. No caso do EQ Forfour há uma grelha mais baixa e maior, com o modelo de quatro lugares a assumir um aspeto mais “dinâmico” face ao de dois lugares, de face mais “amigável”. Destaque ainda o capot redesenhado e entradas de ar maiores. Os faróis full-LED redesenhados são opcionais e existem novas combinações de cores e jantes de 15 e 16 polegadas à disposição. Os novos farolins traseiros criam um efeito visual que parece saído de um protótipo.

Por dentro, o Smart brinda-nos com uma perceção de qualidade um furo acima da concorrência. A consola central foi atualizada com a criação de um novo compartimento em frente ao condutor, para poder colocar o smartphone ou dois suportes amovíveis para copos. O renovado sistema de infotainment mais simplificado e que promete ser mais intuitivo, com um novo ecrã de 8 polegadas e com novas funções e apps (nomeadamente uma que permite partilhar o carro com amigos e calcular automaticamente o custo de utilização de cada utilizador), não está disponível no lançamento e só deverá surgir no final da primavera. Como tal, na unidade ensaiada tivemos à nossa disposição ainda o “antigo” sistema com navegação Tom Tom, algo lento e desatualizado, além de não ser compatível com Apple Carplay. A câmara traseira tem uma resolução fraca. A aplicação para smartphone, que possibilita a consulta de informação do nível de carga da bateria e programar a climatização, por exemplo, também foi revista.

Em termos mecânicos está tudo na mesma. Colocado no eixo traseiro, o motor continua a ter 82 cv e 160 Nm. Na bateria também não há novidades, mantendo-se o módulo de iões de lítio com 17,6 kWh de capacidade que permite uma autonomia até 129 km (WLTP). Carrega numa tomada doméstica em pouco mais de 3h30 numa tomada doméstica. Com um cabo opcional de 22 kW consegue encher de 10 a 80% das baterias em menos de 40 minutos.

 

Para que serve?

A principal vantagem do ForFour são os seus quatro lugares. O acesso ao interior é razoável, uma vez que as portas têm uma boa amplitude de abertura. O espaço no interior está bem aproveitando para um modelo com cerca de 3,5 metros de comprimento. Devido à colocação traseira do motor elétrico, o espaço da bagageira é limitado a 185 litros. Apesar de ter a mesma potência do motor do grupo VW, o Smart ForFour sai a perder em termos de prestações, anunciando 0-100 km/h em 12,7 segundos (em vez dos 11,9 seg. do VW e-Up). Apesar disso, em cidade, o ForFour é leve e bastante disponível às solicitações do acelerador. O binário máximo de 160 Nm está imediatamente disponível, o que ajuda a tornar a condução entusiasmante. A facilidade nas manobras também é impressionante neste citadino de quatro lugares, que possui um diâmetro de viragem de apenas 9,05 metros (quando no e-Up é de 9,8 m).

O único som que se ouve ao volante do Smart ForFour é um ligeiro zumbido emitido a velocidade reduzida de modo a avisar os peões. O conforto sai a perder face a um muito bem mais composto Hyundai i10, embora a estabilidade deste EQ seja superior à dos antigos Smart com motor a gasolina – devido ao pack de baterias montado no piso do carro (que também tornam o EQ mais pesado). Contudo, as baterias com apenas 17 kWh de capacidade contribuem para aquele que é por ventura o grande problema deste ForFour: a autonomia reduzida. Claro que a autonomia oferecida é mais do que suficiente para pequenas deslocações na cidade. O pior é se for preciso fazer uma deslocação mais longa, nem que seja para a periferia. Na maior parte das situações, sobretudo no para-arranca da cidade, é preferível acionar o modo de condução Eco, que, embora desça a potência para 55 cv, permite cerca de mais 10 km de autonomia face ao modo Normal. No nosso teste percorremos 135 km com uma condução normal até esgotarmos a bateria.

Na nossa experiência nos carregamentos deste EQ ForFour, concluímos que numa tomada doméstica se obtém sensivelmente 1 km de autonomia por cada dez minutos ligado à tomada. Isto significa que com o modelo ligado durante a noite é possível carregar a totalidade das baterias, sem preocupação.

 

Porque devo comprar?

O Smart ForFour consegue ser competitivo face ao trio de citadinos elétricos do grupo Volkswagen, neste momento os únicos concorrentes diretos no mercado. Se por um lado, apresenta um interior mais apelativo e com mais substância, ganha também em agilidade e facilidade nas manobras – fator bastante relevante num modelo que se movimenta sobretudo em ambiente urbano –, pela posição de condução elevada e baixos custos de utilização. O ForFour revela ser um carro completo, menos confortável do que o ForTwo, é certo, embora tenha um “feeling” mais próximo de um carro mais convencional. Apesar de não ser muito potente, o motor consegue contribuir para algum prazer de condução, em virtude sobretudo da capacidade de aceleração de proporciona.

O Smart sai a perder face ao VW e-Up, por exemplo, sobretudo, pela diferença na autonomia: enquanto o ForFour anuncia apenas até 129 km, o VW promete até 261 km (WLTP) equipado com baterias de 36,8 kWh – o que é cerca de metade. Outro reparo a fazer é a rigidez do amortecimento, sobretudo devido aos pneus largos encaixados neste modelo, que não poupa os ocupantes de algum desconforto sempre que o carro passa por cima de algum buraco ou tampa de esgoto.  Além disso, o tato do pedal do travão devia ser aperfeiçoado, sobretudo quando acionado o modo de condução Normal. Durante o nosso teste notámos também alguma imprecisão no sistema de travagem automática de emergência, que por vezes falha a leitura da situação e não atua. O novo é o sistema de recuperação cinética com base num radar, que permite abrandar o carro automaticamente atrás de carro que segue imediatamente à frente de forma ideal para recarregar as baterias, também mostrou um funcionamento impreciso.

 

Que opções tenho?

O ForFour está disponível nas linhas passion, pulse e prime. É possível personalizar os painéis da carroçaria e as células de segurança tridion. Os interiores podem ser revestidos em tecido com pesponto azul, branco ou cinzento. Existem ainda versões especiais com cores tailor made, via Hambach: sapphire blue e british racing green. O ForFour dispõe no seu primeiro ano de comercialização de uma edition one, com equipamento e decorações específicas. Existem também packs especiais: Advanced, Premium e Exclusive. Além da versão ForFour existe o EQ Fortwo (que começa nos 22.845 euros) e ForTwo Cabrio (desde 26.395 euros).

A unidade ensaiada conta com painéis da carroçaria em “steel blue” metalizado (435 euros), célula de segurança tridion em “graphite grey” metalizado (260 euros) e estofos da linha Pulse (605 euros). Entre os opcionais, destaque para o carregador de 22 kW (995 euros), pack Exclusive (2.730 euros), teto de abrir em lona (625 euros). Com o acumulado dos 6.135 euros de opcionais que se juntam aos 23.740 euros do modelo base, o preço total da unidade ensaiada é de 29.880 euros.

Em alternativa ao ForFour existe no mercado, por exemplo, o VW e-Up, cujos preços arrancam nos 22.824 euros. Num segmento acima, há o Renault Zoe, que na versão com aluguer de bateria começa nos 23.690 euros, na versão Zen com 110 cv.

 

Há desconto?

De momento não há campanhas em curso.

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