FCA propõe fusão à Renault

FCA propõe fusão com a Renault

O negócio de 50/50, que não envolverá a Nissan, deverá ficar definido nos próximos dias.

A Fiat Chrysler Automobiles (FCA) confirmou que propôs à Renault uma fusão. Segundo a Bloomberg, o que está em cima da mesa é a venda de 50% do capital ao fabricante francês. Da proposta de negociação, que será analisada hoje numa reunião da direção da Renault, poderá resultar a criação de um dos maiores grupos de fabricantes de automóveis do mundo. O acordo em questão não envolverá a Nissan ou a Mitsubishi, membros da aliança com a Renault, pelo menos numa fase inicial. Mas permitirá debelar algumas lacunas de ambos os grupos, que assim se poderão complementar em diversos aspetos, “contribuindo para uma presença forte em regiões-chave do globo e acesso a tecnologias, permitindo poupar 5 mil milhões de euros anualmente”, segundo afirma a FCA em comunicado. Após o pagamento de um dividendo especial de 2,5 mil milhões de euros aos acionistas da FCA, a nova empresa que poderá resultar deste negócio teria sede na Holanda e seria gerida por John Elkann, membro da família Agnelli que atualmente controla 29% da FCA, segundo a Reuters. O chairman da Renault, Jean-Dominique Senard deverá tornar-se no CEO.

A Renault e a FCA têm um valor de mercado conjunto de 32,6 mil milhões de euros. Os dois grupos fabricam 8,7 milhões de carros por ano, o que em lhes permitirá ultrapassar a Hyundai e a General Motors, ficando apenas atrás do grupo VW e da Toyota, que ficaram acima dos 10 milhões de unidades no ano passado. A pressão constante para a consolidação financeira na indústria automóvel, com desafios ao nível da “eletrificação”, emissões de CO2, conetividade e condução autónoma, poderá precipitar este negócio, sobretudo depois das mudanças importantes na gestão de ambos os grupos nos últimos meses – nomeadamente com a morte de Sergio Marchionne no verão passado e a detenção de Carlos Ghosn. Este cenário de fusão entre a Renault e a FCA poderá ter repercussões ao nível da aliança de mais de duas décadas da Renault com a Nissan, que ficou profundamente enfraquecida com o afastamento de Ghosn no final do ano passado, acusado de crimes financeiros. A FCA tem uma forte presença nos EUA, sobretudo com as marcas Jeep e Ram, mercado onde a Renault não está presente. Em oposição, a FCA está atrasada face aos franceses no desenvolvimento de carros elétricos, podendo beneficiar da experiência da Renault-Nissan nessa área.

Atualmente a FCA está avaliada em 18 mil milhões de euros e a Renault em 15, segundo o Detroit Free Press. Atualmente, FCA e Renault já têm uma parceria para a produção conjunta de modelos comerciais, tendo já tido conversações acerca de uma possível partilha de plataformas.

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