Morreu o piloto Johnny Dumfries

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O escocês foi colega de equipa de Ayrton Senna na F1 e venceu as 24 Horas de Le Mans.

Morreu o piloto Johnny Dumfries aos 62 anos, vítima de cancro. O escocês, cujo nome verdadeiro era John Crichton-Stuart, ingressou no mundo das corridas assim que deixou a escola, quando foi trabalhar como motorista na Williams, tendo depois passado para a equipa BS Fabrications de Brett Lunger e Nelson Piquet. A paixão pelas corridas de Dumfries era tal que mesmo sem a ajuda da (endinheirada) família (de sangue azul) conseguiu juntar dinheiro para competir na Fórmula Ford. O piloto deu que falar em 1983 quando mediu forças com Ayrton Senna numa corrida de Fórmula 3 em Silverstone. A sua audácia ao volante chamou a atenção de Dave Price (que já tinha investido em nomes como Martin Brundle ou Calvin Fish) que o levou para uma equipa F3 britânica patrocinada pela BP. Dumfries dominou a seu “bel-prazer” a temporada, com dez vitórias. Mesmo no campeonato europeu de F3, apesar de não ter corrido em todas as provas, o britânico ficou apenas atrás Ivan Capelli. Foi aí que experimentou pela primeira vez um carro de competição de alto nível, mais concretamente o “carro-câmara” Porsche 956 em Spa e em Sandown Park (nesta última ocasião partilhado com Sir Jack Brabham). Mas Dumfries não gostou de conduzir sem a emoção dos “cabelos ao vento”.

Em 1985, Dumfries enveredou pela nova F3000, onde participavam antigos carros de F1. Aos comandos de um Onyx, o melhor que conseguiu foi um sexto lugar em Vallelunga, isto antes de trocar para a Lola Motorsport ainda de acabar a época. No fim desse ano partilhou um 956 de Richard Lloyd com Kenny Acheson em Fuji. Passou então por vários testes em diversas equipas de F1, incluindo a Ferrari, tendo assinado um contrato como piloto de ensaios. Foi então que em 1986 surgiu a possibilidade de Dumfries testar em Donington para a Team Lotus para ser companheiro de equipa da Ayrton Senna, que tinha vetado Derek Warwick. Apesar de ter nas mãos um dos mais potentes e mais rápidos F1 da era turbo, o 98T com motor Renault, Dumfries sentiu dificuldades na sua primeira e única temporada na F1. O seu melhor registou foi no G.P. da Hungria com um quinto lugar. O escocês acabou por ser trocado pelo japonês Satoru Nakajima no fim da época. Em 1987, Dumfries iniciou o seu percurso em Le Mans com um Sauber-Mercedes partilhado com Mike Thackwell e Chip Ganassi. No ano seguinte foi convidado para partilhar um Jaguar XJR8 com Jan Lammers e Andy Wallace e venceu as 24 Horas de Le Mans no grupo C1.

Dumfries ainda correu por mais três vezes em Le Mans, embora nunca tenha terminado a corrida – duas vezes com a Toyota e uma com um Porsche 935 da Courage. A vida de Dumfries mudou em 1993 com a morte do seu pai, o que o levou a herdar o título de Marquês de Bute, encarregando-o por inerência a gerir as propriedades e negócios de família. Em 2003, Dumfries fez um breve teste em Le Mans. Durante alguns anos organizou um festival em Mount Stuart.

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