A marca britânica está de volta começando por cinco exemplares inacabados do Fighter, antes de voltar as suas atenções para futuras criações de luxo feitas à medida.
O Dodge Viper deixou de ser produzido em 2017 e não dá sinais de que regresse, apesar do novo foco da marca norte-americana na performance. Mas do outro lado do Atlântico, um parente afastado do Viper acaba de ser relançado, com direito até ao motor V10 da Chrysler. Esse carro é o Bristol Fighter, um coupé com portas asa de gaivota de uma marca de luxo britânica. A Bristol Cars foi ressuscitada e, 15 anos após o fim da produção do Fighter, estão previstos cinco novos exemplares em jeito de teaser sobre o que aí vem. Nascida da Bristol Aeroplane Company após a Segunda Guerra Mundial, a Bristol Cars construiu o seu primeiro automóvel em 1946 e passou décadas a produzir máquinas de luxo caras em quantidades muito pequenas. A engenharia inspirada na aviação, geralmente envolta num estilo discreto e equipada com um motor Chrysler V8, além da determinação de fazer as coisas à sua maneira, tornaram-se marcas registadas da Bristol desde o final da década de 1960 até à década de 1990.
Mas o Fighter era muito menos discreto. Apresentado em 2004, combinava uma carroçaria de dois lugares e portas com abertura asa de gaivota com o motor V10 8.0 associado ao Dodge Viper. A Bristol oferecia-o com 532 cv de série ou 608 cv na sua versão mais potente, o Fighter S, com uma velocidade máxima anunciada de 338 km/h. A produção foi interrompida quando a Bristol entrou em processo de falência em 2011, deixando o projeto inacabado. Após uma tentativa falhada de relançamento na década de 2010, o novo proprietário, Paul King, retomou a história utilizando cinco chassis originais do Fighter que nunca tinham sido utilizados. O primeiro já foi finalizado em preto com interior bege e apresentado no Salon Privé, enquanto os restantes quatro serão construídos de acordo com as especificações dos seus proprietários. Isto, claro, se a Bristol conseguir encontrar potenciais compradores. Cinco carros podem não parecer muitos, até considerarmos que se acredita que a Bristol tenha construído apenas 13 Fighters na altura. Os compradores podem escolher entre volante à direita ou à esquerda. O preço ainda não foi divulgado, mas a título de referência o Fighter custava cerca de 230 mil libras (cerca de 267 mil euros) quando novo em 2004.
A Bristol não está simplesmente a tirar alguns chassis antigos do armário e a chamar-lhe um regresso à atividade. A conclusão dos Fighters tem o objetivo de reconectar a empresa renascida com o seu passado antes de seguir em frente. King conta com a colaboração do presidente Richard Hackett, que trabalhou em estreita colaboração com o antigo (e falecido) responsável da Bristol, Tony Crook, enquanto um parceiro de fabrico britânico, cujo nome não foi divulgado, tratará da produção especializada. A Bristol afirma que o Fighter é apenas o primeiro passo num regresso mais amplo, sugerindo que o seu 80º aniversário não será apenas uma retrospetiva. Há alguns anos, quando surgiram as primeiras notícias sobre os planos para ressuscitar a Bristol, os proprietários falaram em fabricar veículos elétricos. Mas, considerando que neste segmento o interesse mantem-se principalmente interessados em motores a combustão, é possível que estes planos tenham sido descartados.











