Escultura antecipa design do próximo Alpine A110

Alpine A110 teaser concept

Previsto para 2027, o coupé francês de dois lugares será totalmente elétrico, mantendo elementos retro do antecessor e um motor central-traseiro.

O mais recente concept da Alpine é, na verdade, uma escultura. A peça em tamanho real antecipa o visual do novo Alpine A110, previsto para o próximo ano, e será a grande atração do stand da marca francesa no Salão Automóvel de Paris, em outubro. A escultura é como se alguém tivesse lançado um lençol de seda sobre a carroçaria do coupé e depois extraído o ar debaixo do mesmo. Ou seja, o que se vê são a forma e os contornos da carroçaria em alumínio e uma sugestão de alguns pormenores, mantendo, ainda assim, um certo mistério. A Alpine afirma que a tensão visível no “véu azul” visa evocar a imagem de algo captado pelo vento, uma referência à leveza e à aerodinâmica. A marca refere mesmo que uma das grandes inspirações foi o Concorde, o jato de passageiros supersónico desenvolvido em parceria pelo Reino Unido e França. No entanto, isso não significa que a Alpine mude tudo relativamente ao A110 anterior – um modelo que, por sua vez, já era fortemente inspirado no clássico original dos anos 1960. A dianteira em formato de “V” e o conjunto óptico duplo continuam presentes e, embora as linhas da carroçaria indiquem que o novo carro será mais esguio – e possivelmente mais baixo e comprido -, mantem-se inconfundível.

Recorde-se que o próximo A110 tornar-se-á elétrico. No Goodwood Festival of Speed, em julho, a Alpine demonstrou a nova tecnologia numa versão alongada do atual A110, denominada A110 Future. Este conjunto mecânico inclui um eixo traseiro com dois motores, vectorização de binário ativa e um sistema inteligente de controlo do deslizamento das rodas. O A110 atual é aclamado pela sua agilidade, mas a versão elétrica promete ser ainda mais ágil. O modelo contará ainda com uma configuração de bateria invulgar. Em vez de uma bateria enorme sob o piso da plataforma APP, o novo A110 terá duas baterias mais pequenas posicionadas nas extremidades do chassis. Isto permite manter o piso baixo, assim como a posição de condução e a linha do tejadilho. A solução também ajudará a Alpine a alcançar uma distribuição de peso de 40:60 entre a frente e a traseira. Um sistema elétrico de 800 volts garantirá um carregamento rápido, embora os números exatos de velocidade de carga e autonomia ainda sejam mantidos em sigilo. O mesmo acontece com o peso, que deve aumentar cerca de 300 kg.

São também mantidas em sigilo as intenções da Alpine em relação à propulsão a combustão. O A110 foi concebido como um veículo elétrico numa época em que parecia que os carros elétricos iriam rapidamente tornar os modelos a gasolina uma minoria. No entanto, embora as vendas de elétricos continuem a crescer na Europa – onde já representam um em cada quatro automóveis novos -, os entusiastas têm demonstrado preferência pelos motores a gasolina. E parece que a Alpine está atenta a isso. “Antes que perguntem: sim, a plataforma foi concebida para acomodar um motor de combustão interna”, afirmou Philippe Krief, CEO da Alpine, à revista britânica Autocar em março. Em Goodwood, quatro meses depois, afirmou que a decisão sobre produzir ou não uma versão a gasolina seria tomada até ao final de 2026. Caso o projeto receba luz verde, poderá demorar cerca de dois anos a entrar em produção. Embora Krief não tenha indicado qual o motor de combustão que poderia equipar o chassis do A110, existe uma opção óbvia. A Horse Powertrain – empresa criada pela Renault (empresa-mãe da Alpine) em parceria com a chinesa Geely – desenvolveu vários motores híbridos. Um deles debita 354 cv e 515 Nm de binário.

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