Renault Filante pretende bater recorde de autonomia

Renault Filante Concept

Protótipo elétrico estilo “batmobile”, apresentado como sendo um “laboratório sobre rodas”, começará a ser testado na primavera.

A Renault criou um protótipo para desafiar os valores da eficiência dos carros elétricos, o Filante concept. Ao mesmo tempo, este “laboratório sobre rodas” traz tecnologia e materiais que serão utilizados futuramente em modelos de produção. Contudo, o aspeto mais importante do Filante é o objetivo de bater o recorde de autonomia num carro elétrico. Com apenas 1 tonelada e munido de uma bateria de 87 kWh de capacidade, este “batmobile” gigante pintado de azul traz uma carroçaria com um formato otimizado, inspirado no histórico 40 CV des Records, no Nervasport des Records e no Étoile Filante (“Estrela Cadente”) das décadas de 1920, 1930 e 1950, respetivamente – todos eles protótipos criados especialmente para recordes de velocidade. No novo Filante, a Renault uniu esforços com a Ligier, especialista em competição, de modo a conseguir ter a carroçaria o mais aerodinâmica possível. O concept tem 5,12 metros de comprimento (o mesmo que um Range Rover) e 1,19 m de altura (menos que um Citroën Ami). A bateria, desenvolvida pela Ampere (a divisão de elétricos da Renault), traz células integradas diretamente no carro, sem módulos intermédios, de forma a otimizar o espaço. Encaixadas numa estrutura em fibra de carbono, a bateria pesa menos de 600 kg e tem apenas 1,71 m de largura. O pack tem a mesma capacidade do que é utilizado no Scénic E-Tech Electric (de 2 toneladas). No entanto, o objetivo é superar os 611 km (WLTP) de alcance oferecidos pelo SUV de produção, na sua versão mais eficiente. Um dos ensinamentos que a marca francesa pretende obter com este estudo é tentar percorrer mais quilómetros com baterias mais pequenas, o que contribuirá, em última análise, para reduzir o preço final dos seus carros elétricos – uma vez que a bateria representa cerca de 40% do valor total.

Outro aspeto fulcral é a utilização de materiais mais leves na carroçaria, nomeadamente fibra de carbono e um alumínio especial de alta resistência criado através do processo de impressão 3D, que minimiza o desperdício e permite criar peças com maior precisão. O chassis, por sua vez, é feito através de um material compósito de alumínio, carbono e aço, suficientemente leve de modo a manter o Filante seguro e estável em pista. A Renault também poupou peso na direção steer-by-wire, brake-by-wire e ao reduzir ao máximo os componentes mecânicos do carro e ao acrescentar um novo nível de precisão informática na travagem e na viragem para otimizar ainda mais a eficiência. De resto, juntou jantes de 19 polegadas, igualmente concebidas para minimizar o impacto no fluxo do ar, e optou por uns pneus Michelin especiais que se diz reduzirem as perdas de energia por fricção. Ao mesmo tempo, os braços da suspensão têm um formato que melhora o fluxo do ar.

O habitáculo é inspirado na aviação e na indústria aeroespacial, com cada detalhe a ser pensado para aumentar a performance, o conforto e a eficiência. Existem comandos mais convencionais para o cruise control, mas o banco do condutor é uma espécie de lona semelhante a uma rede que se adapta ao corpo de quem se senta. Este é suportado por lâminas finas de carbono. O Filante começará a ser testado na primavera – primeiro em túneis de vento e depois em pista.

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