Além disso, segundo a nova estratégia, o próximo SUV de topo “K1” será a combustão e não elétrico.
A Porsche anunciou uma mudança de planos significativa no que diz respeito à estratégia de eletrificação. A mais relevante é, porventura, a inclusão de novas opções de topo a gasolina para a próxima geração da gama 718 Boxster/Cayman – dupla que até aqui vinha sendo pensada como propostas puramente elétricas. Esta decisão poderá implicar a continuidade das variantes RS e GT4 RS (na imagem). Este realinhamento estratégico, anunciado pelo CEO da marca germânica, Oliver Blume, prevê ainda que o novo SUV de luxo, a posicionar acima do Cayenne, conhecido para já pelo nome de código “K1”, já não seja elétrico, mas sim um modelo a combustão. Outra novidade é um novo facelift dos modelos Cayenne e Panamera, que continuarão disponíveis com versões a combustão e híbridas plug-in até à próxima década.
A decisão de suspender o desenvolvimento da plataforma SSP 61 “Sport” terá um impacto de 1,8 mil milhões de euros nos cofres do grupo VW. Esta base seria utilizada não só no “K1”, como também no novo Panamera elétrico e na próxima geração do Taycan. Blume diz que esta plataforma SSP Sport, derivada da base que será utilizada nalguns modelos mais comerciais do grupo, tais como o VW Golf ou o Skoda Octavia, só voltará a avançar no decurso da próxima década. Sem se querer comprometer com uma data específica, o “homem-forte” da Porsche garante, no entanto, que o “K1”, um D-SUV, será lançado com opções a combustão e PHEV. O “K1” foi falado inicialmente em 2022, juntamente com os planos para a terceira geração do Panamera e da segunda geração do Taycan. Blume diz que o motivo para este realinhamento estratégico é a quebra da procura de elétricos no segmento premium, sobretudo no mercado chinês. A juntar a isso, as tarifas adicionais nos EUA aplicadas a carros importados também têm impacto nos resultados da Porsche. Aliás, a empresa afirmou que a combinação de circunstâncias reduzirá a sua margem de lucro líquido prevista para cerca de 2% este ano, mas previu um regresso ao crescimento dos números a “médio-prazo”, numa altura em que planeia aumentar as margens para mais de 10% com o lançamento de novos produtos.
Blume diz que a gama fica, assim, mais equilibrada, misturando opções a combustão, PHEV e 100% elétricas. Apesar disso, o emblema de Zuffenhausen continua comprometido em transitar para a eletrificação, pois é algo que continua a “atrair um grupo específico e crescente de clientes”, acrescentou Blume. Recorde-se que a Porsche está prestes a lançar um novo Cayenne elétrico com base na plataforma PPE de 800V do grupo VW, já utilizada no Macan Electric. O plano era que o Macan elétrico substituísse o modelo a combustão, numa altura em que se previa que os elétricos representassem 80% das vendas globais da marca germânica em 2030. Contudo, a Porsche vai emendar a mão e lançar um SUV a combustão, o “M1”, equivalente ao Macan a combustão, com variantes PHEV e a combustão que coexistirá no catálogo com o EV.
