Arquitetura que previa inicialmente a dupla Boxster e Cayman 100% elétricos está a ser adaptada para acolher motores a gasolina.
A quarta geração da dupla 718 Boxster e Cayman foi descontinuada no mês passado, estando previstos substitutos 100% elétricos ainda este ano. Contudo, com a procura de modelos “zero emissões” abaixo do expectável, a Porsche tem vindo a “emendar a mão”. Além de já ter anunciado que as variantes de topo, RS e GT4 RS, respetivamente, continuarão a ter motores a combustão no futuro, segundo a Autocar, que cita membros do centro de engenharia de Weissach, o novo alinhamento estratégico implica ainda modificações na plataforma PPE Sport com o objetivo de poder acomodar um motor a gasolina de colocação central. No fundo, esta nova estratégia segue o mesmo rumo que a Fiat encetou com o 500 Hybrid ou a Mercedes-Benz com o Viano, ou até mesmo com o que a Porsche já fez com o Macan, que em breve regressará ao motor a combustão. Efetivamente, os novos 718 de base PPE Sport a combustão são diferentes dos 718 de topo que a Porsche tinha aludido em setembro. Espera-se que esses modelos sejam a continuação da geração atual do Boxster RS e do Cayman GT4 RS, que estão a ser posicionados acima dos veículos elétricos de 2026. Essas novas informações sugerem que eles serão usados como uma solução temporária até que os próximos modelos da quinta geração cheguem no final da década.
Segundo os especialistas da Porsche, para serem viáveis, os novos modelos ICE de quinta geração devem conseguir alcançar a mesma dinâmica dos seus irmãos elétricos — uma meta ambiciosa, tendo em conta o que descreveram como tendo um “centro de gravidade ultrabaixo”, proporcionado pela arquitetura elétrica. A plataforma PPE Sport usa uma bateria mais resistente e capaz de suportar melhor carregamentos rápidos, além de um piso plano, o que significa que a remoção da bateria enfraqueceria significativamente toda a carroçaria. Como tal, os engenheiros da Porsche propõem-se a desenvolver uma nova secção estrutural do piso que se aparafusa nos pontos rígidos existentes da plataforma, devolvendo efetivamente a rigidez. Uma antepara traseira e um subquadro redesenhados irão então suportar o motor e a transmissão. Dado que a base elétrica não prevê um túnel central, nem espaço para o depósito de combustível, tubos de combustível ou escape, os engenheiros sugerem uma secção traseira completamente nova.
O motor 4.0 de seis cilindros boxer naturalmente aspirado não estava previsto continuar com a norma Euro 7, uma vez que obriga a um filtro de partículas sobredimensionado e hardware adicional para tratamento de gases de escape. Contudo, a regulamentação final diluída, juntamente com a isenção da UE para combustíveis sintéticos após 2035, torna agora viável o negócio dos novos carros desportivos a gasolina. Fonte da marca diz mesmo que “os Boxster e Cayman elétricos arriscam-se a tornarem-se modelos de nicho”, por causa disso mesmo. Como tal, segundo Oliver Blume, o CEO da Porsche, o motor escolhido pode mesmo vir a ser uma evolução do 4.0 de seis cilindros boxer atual, lançado em 2020.

