Stellantis perdeu 22 mil milhões de euros e cai na bolsa

Dodge Ram 1500 EV concept

As ações do grupo tiveram uma quebra de 30%, num cenário de crise agravado pela indemnização de 36,5 milhões paga ao ex-CEO Carlos Tavares.

A Stellantis viveu na passada sexta-feira (6 de fevereiro) o seu pior dia de sempre na bolsa com queda de 30% do valor das ações, após o anúncio da perda de 22,2 mil milhões de euros no segundo semestre do ano passado. O grupo vale agora menos do que a imparidade anunciada, num cenário de crise agravado com a repentina saída do antigo CEO Carlos Tavares, que recebeu uma indemnização de 36,5 milhões de euros.

Na apresentação dos resultados financeiros, o atual CEO, Antonio Filosa, não poupou críticas à gestão de Tavares, dizendo que os números “refletem o custo da sobrevalorização do ritmo da transição energética” e o “impacto da má execução operacional anterior”. Muita da turbulência no mercado tem acontecido nos EUA com a administração Trump, que levou a Stellantis ao cancelamento à beira do lançamento comercial do projeto da pick-up Ram 1500 BEV (na imagem, o concept). A Stellantis teve mesmo de pagar aos fornecedores pelos pedidos cancelados. Para compensar, a Dodge está a acelerar o processo de desenvolvimento de uma Ram com um novo motor Hemi V8. Na Europa, o cenário não é muito diferente, com o novo Fiat 500, que esteve pensado para ser 100% elétrico, a necessitar de alterações na plataforma para poder encaixar um sistema a combustão. A Vauxhall foi um dos primeiros fabricantes a dizer que iria cumprir uma transição para uma gama totalmente elétrica em 2028, algo que já mudou, voltando-se para mais opções a gasolina e híbridos plug-in. A Alfa Romeo, por exemplo, tinha previsto lançar este ano os substitutos “zero emissões” do Giulia e do Stelvio, mas isso só está previsto acontecer daqui a dois anos – uma decisão que compromete não só as receitas como exige uma reestruturação dispendiosa para uma alternativa a gasolina. 

Do valor agora anunciado fazem parte 6 mil milhões de euros para “imparidade das plataformas”, que se refere às plataformas elétricas que foram lançadas com a expectativa de vender um grande número de carros elétricos em vários modelos. Agora que os números de vendas esperados foram revistos em baixa, os lucros futuros serão prejudicados. Outro valor significativo é o de mais de 4,1 mil milhões de euros em custos adicionais com garantias. Isto justifica-se parcialmente pela alteração da forma como estes são contabilizados, mas sobretudo por todos os lançamentos adicionais e apressados. Estes ocorrem ao mesmo tempo que a mudança para fornecedores não comprovados. A empresa fala mesmo de uma “deterioração da qualidade, em resultado de escolhas operacionais, que não proporcionaram o desempenho de qualidade esperado”. Apesar das pressões de alguns investidores para que a Stellantis – um grupo de 14 marcas que resultou há cinco anos da fusão entre a PSA e a FCA – venda algumas marcas (como a Maserati, cujas vendas caíram novamente, o que faz dela uma potencial candidata) ou que volte à forma inicial, a verdade é que Filosa diz que a Stellantis é para continuar.

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