Venda da Lamborghini e da Ducati volta a ser hipótese

Ducati e Lamborghini no "fio da navalha"

O grupo germânico está a equacionar vender ambas as marcas de modo a financiar a sua recuperação financeira.

O grupo Volkswagen vendeu recentemente a participação maioritária na Everllence, uma empresa especificamente dedicada à produção de motores para o setor marítimo. Apesar do encaixe financeiro, esse dinheiro poderá ser rapidamente absorvido pelos custos de um programa de reestruturação abrangente e pelos investimentos tão necessários em produtos futuros. Como tal, segundo o Financial Times, está a ser discutida internamente a possível venda da Lamborghini e da Ducati de modo a continuar a financiar a sua recuperação financeira. 

Alegadamente, o grupo VW está a preparar-se para eliminar até 100 mil postos de trabalho e, ao mesmo tempo, encerrar quatro fábricas, o que torna esta iniciativa uma das maiores reestruturações empresariais das últimas décadas. Paralelamente, o conglomerado germânico enfrenta uma concorrência feroz por parte dos fabricantes de automóveis chineses e está a investir em grande para se manter competitiva na era dos veículos elétricos. Este cenário reacendeu, inevitavelmente, o debate sobre a venda de ativos. Como tal, vários consultores estão a incentivar a Volkswagen a reconsiderar propostas anteriores, incluindo a venda da Ducati ou a entrada da Lamborghini na bolsa. A Ducati já tinha sido analisada como um potencial alvo de venda há vários anos, e a Lamborghini, altamente rentável (que registou um lucro de 780 milhões de euros no ano passado, apesar dos problemas com os direitos aduaneiros), é há muito considerada um dos negócios mais valiosos do grupo.

A Audi adquiriu a Lamborghini em 1998 por 97 milhões de euros, mas a Bloomberg Intelligence avaliou-a, desde então, em mais de 19 mil milhões de euros. A VW comprou a Ducati – mais uma vez através da Audi – em 2012 por 798 milhões de euros. Contudo, nem todos acreditam que a venda de qualquer uma das marcas venha a acontecer. Analistas contactados pelo Financial Times argumentam que é improvável que a Volkswagen se desfaça de marcas que geram consistentemente lucros elevados. Por enquanto, a Volkswagen não comenta estas especulações. Mas o próprio debate diz muito sobre a pressão que enfrenta o maior fabricante de automóveis da Europa.

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