A pick-up sairá do mapa, abrindo caminho para o Cybercab.
A Tesla anunciou que vai reduzir gradualmente a produção da Cybertruck na Gigafactory Texas por volta de meados do próximo ano, de modo a abrir espaço para o aumento da produção do Cybercab. Quem o diz é o próprio Elon Musk, o CEO da marca norte-americana, no X.
Recorde-se que a Cybertruck estreou em 2019, mas só começou a ser entregue aos clientes em dezembro de 2023. O Cybercab, por sua vez, é um táxi totalmente autónomo de dois lugares, equipado com portas com abertura em tesoura e sem volante. Foi apresentado em 2024, apresentado na sua versão de produção em setembro deste ano e poucos dias depois já estava a operar em Austin, no Texas. Musk promete apostar fortemente neste tipo de veículos autónomos – assim como na robótica -, o que deixa menos espaço e recursos para os modelos que consolidaram o nome da marca. Já descontinuou a berlina Model S e o SUV Model X, por exemplo. A Cybertruck é fabricada exclusivamente no Texas. Embora Musk não tenha afirmado explicitamente que a pick-up será totalmente eliminada – em vez de ter a sua produção transferida para outra unidade da Tesla nos EUA -, tudo indica que este é o fim da linha para um dos veículos mais controversos do mundo. Esta interpretação é reforçada por uma outra publicação numa rede social, feita por Wes Morrill, que atuou como engenheiro-chefe no projeto da Cybertruck. “O Cybertruck foi uma plataforma tecnológica incrível e continua vivo através do Cybercab”, disse Morrill no X. “Obrigado a todos os que contribuíram para que o futuro parecesse, de facto, o futuro”.
O fim do projeto Cybertruck é compreensível. Em tempos, a Tesla disse que poderia vender 250 mil unidades por ano da pick-up elétrica, com potencial para chegar às 500 mil. A realidade, contudo, foi bem diferente. Apenas 11.586 unidades do Cybertruck foram vendidas nos EUA nos primeiros nove meses de 2026, segundo as estimativas da Cox Automotive – uma queda de 28% em relação ao mesmo período de 2025. Além disso, os números de produção de 2025 já tinham registado uma queda de 48,1% em comparação com as vendas do ano anterior. Estima-se que o total de vendas, ao longo de quase três anos, tenha rondado as 71 mil unidades; uma parcela significativa – quase 20% da produção do quarto trimestre de 2025 – foi atribuída a empresas pertencentes a Elon Musk. O design da Cybertruck, com linhas angulares e carroçaria em aço inoxidável, gerou controvérsia desde o início, embora alguns compradores tenham apreciado o facto de o veículo ser tão diferente das tradicionais pick-up americanas. Mas também houve quem tenha ficado desapontado com o preço 50% superior aos 39.900 dólares que Musk tinha inicialmente prometido para a versão base, equipada com um único motor e tracção traseira. No lançamento, existiam apenas versões de tracção integral, começando nos 62.380 dólares (incluindo 1.390 dólares de portes) e chegava aos 101.290 dólares na versão Cyberbeast, equipada com três motores e 857 cv/630 kW. Em abril de 2025, a Tesla chegou a introduzir uma versão mais acessível, com um único motor e um preço de 71.985 dólares, mas as vendas foram fracas, e o modelo foi retirado de linha poucos meses depois. Os proprietários da Cybertruck enfrentaram também vários problemas de qualidade que levaram a vários recalls, incluindo ações para corrigir o desprendimento dos acabamentos exteriores a altas velocidades, o bloqueio do pedal do acelerador (situação ainda mais preocupante na versão Cyberbeast) e falhas no limpa-para-brisas. Respondendo a um tweet de um proprietário preocupado – que questionava acerca do apoio da fábrica e dos concessionários após a revelação do problema -, Wes Morrill confirmou que “a Tesla vai manter o fornecimento de peças de substituição e continuará a oferecer apoio técnico”.