Bugatti Bolide é o novo hipercarro de competição com 1850 cv

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Digno sucessor espiritual do Type 35, este “monstro” tem 0,67 kg/cv e anuncia uma velocidade máxima “bem acima” dos 500 km/h.

A Bugatti apresentou o Bolide, um estudo de um hipercarro de corridas “lightweight”. O CEO da marca de Molsheim, Stephan Winkelmann, descreve-o como tendo apenas: “quatro rodas, motor, caixa de velocidades, volante e, como único luxo, o facto de ter dois lugares”. Apesar de ser um exercício que não sabemos se algum dia chegará à produção, este bólide tem números que impressionam. Para começar, recorre a uma versão modificada do motor W16 8.0 quad-turbo do Chiron que lhe permite alcançar 1850 cv e 1850 Nm de binário máximo (mais 250 cv do que o Chiron Super Sport 300+), distribuídos pelas quatro rodas. Estes 1850 cv são possíveis apenas com combustível de competição com 110 octanas. Com gasolina de 98 octanas, a cifra baixa para os 1600 cv do Chiron Super Sport 300+. Os valores do Bolide foram possíveis graças a um sistema de escape reformulado, a quatro novos turbos e a um sistema de lubrificação por cárter seco redesenhado. Foi igualmente incluído um sistema de arrefecimento a água e os travões são ventilados através de compressores ‘turbofan’ radiais de carbono-titânio. A isso junta três radiadores de óleo arrefecidos a ar, com pré-arrefecimento a água – solução também utilizada no motor, caixa de velocidades e diferencial.

O facto de ser um modelo “despido” ao máximo permite-lhe anunciar apenas 1240 kg (o mesmo do que um Ford Fiesta ST, por exemplo), o que resulta numa potência específica sem precedentes de 0,67 kg/cv. Com vista à redução no peso deste modelo com apenas 995 mm de altura (menos 300 mm do que o Chiron normal), foram utilizados apenas parafusos em titânio, jantes em titânio impressas em 3D com componentes aerodinâmicos funcionais (de 7,4 kg à frente e 8,4 kg atrás) e com porca de aperto central, travões em cerâmica acompanhados por pinças de apenas 2,4 kg cada, além do chassis monocoque, secção dianteira e zona inferior da carroçaria em fibra de carbono. Os pneus têm 340 mm de largura à frente e de 400 mm atrás. A suspensão dispõe de uma configuração “push-rod” em titânio (com menos de 100 kg) com amortecedores dispostos na horizontal. Há ainda braços em aço inoxidável soldados como perfis da asa. O formato das entradas de ar é um “piscar” de olhos aos F1 e o desenho dos farolins traseiros em X é uma alusão ao avião a jato experimental que rompeu pela primeira vez a barreira do som em 1947.

As performances essas são ao nível de um Fórmula 1: 0-100 km/h em 2,17 segundos, 0-200 km/h em 4,36 seg., 0-300 km/h em 7,37 seg., 0-400 km/h em 12,08 seg. e 0-500 km/h em 20,16 seg. Como se isso não bastasse, o Bolide promete ua velocidade máxima “bem acima” dos 500 km/h. Tal como é facilmente comprovado pelas imagens, este Bugatti “radical” foi desenhado com vista a gerar o máximo de “downforce” possível, além de anunciar ser capaz de atingir uma aceleração lateral máxima de 2,8G. Para obter esse efeito, foi criada uma entrada de ar no tejadilho, capaz de proporcionar uma circulação otimizada do ar – que a velocidades mais elevadas reduz efeito de arrasto em 10% e o efeito de elevação em 17%. A 320 km/h, a “downforce” atinge 1800 kg na asa traseira de 800 kg na asa dianteira.

A marca francesa diz que o Bolide, um digno sucessor do Type 35 da década de 1920, é capaz de cumprir uma volta ao circuito de la Sarthe (de Le Mans) em 3 minutos e 7,1 segundos e de uma “hot lap” em Nürburgring-Nordschleife em cerca de 5 minutos 23,1 segundos – muito próximo do recordista absoluto Porsche 919 Evo LPM1.

Este Bolide deverá ser a experiência quase final para o hipercarro com que a Bugatti deverá aventurar-se na nova categoria de topo LMH que estreará no Campeonato Mundial de Resistência em 2022. Aliás, as portas abrem na vertical como num LMP1.

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