UE dá mais 3 anos para cumprir objetivos de CO2

Ursula von der Leyen

As alterações às emissões significam, efetivamente, que os fabricantes de automóveis podem não atingir o objetivo este ano, desde que tenham um desempenho superior nos dois anos seguintes.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou ontem que foi concedida aos fabricantes de automóveis uma janela de três anos para atingirem os objetivos de emissões de dióxido de carbono que foram originalmente estabelecidas para este ano. Recorde-se que quem não consiga ultrapassar os 93,6 gramas por quilómetro de CO2 nos carros vendidos na Europa estará sujeito a multas que poderão chegar aos 15 milhões de euros.

Von der Leyen justificou o alargamento do prazo com a necessidade de “mais espaço de manobra para a indústria e mais clareza, sem alterar os objetivos acordados”. Segundo a presidente, “por um lado, precisamos de previsibilidade e justiça para os pioneiros, aqueles que fizeram bem o dever de casa. Isso significa que temos de nos manter nos objetivos acordados. Por outro lado, temos de ouvir as vozes das partes interessadas que pedem mais pragmatismo nestes tempos difíceis e neutralidade tecnológica.” No que diz respeito aos números, a Stellantis foi um dos fabricantes que mais se aproximou de atingir os objetivos, enquanto o grupo Volkswagen foi o que teve mais dificuldade em alcançá-los. Em reação à decisão tomada, as associações europeias de fabricantes de veículos (ACEA) e de fornecedores (CLEPA) destacaram que esse alargar do prazo “é um primeiro passo na direção certa”, ao mesmo tempo que destacaram que “um maior apoio aos veículos autónomos e à cadeia de fornecimento de baterias europeia também são sinais positivos”.

A presidente da Comissão tocou ainda noutro ponto que considera relevante: a condução autónoma. Segundo von der Leyen, “precisamos de um grande impulso em software e hardware para condução autónoma”. Para este fim, a Comissão criará e contará com alianças industriais para permitir que as empresas reúnam recursos como desenvolvimento de software, chips e tecnologia de condução autónoma. O objetivo é não ficar para trás diante da forte concorrência das marcas chinesas, por isso, de acordo com von der Leyen, o objetivo é: “colocar veículos autónomos nas estradas da Europa o mais rápido possível.” Bruxelas reconhece também que as cadeias de abastecimento europeias precisam ser “mais robustas e resilientes, especialmente quando se trata de baterias”. Para tal, considera fornecer apoio direto aos produtores europeus de baterias.

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