O 911 S/T 2.5, que esteve ao abandono durante 30 anos, surge na companhia de um S/T moderno a condizer.
É difícil compreender como é que o Porsche 911 S/T 2.5 vencedor das 24 Horas de Le Mans na classe de GT em 1972 acabou por ir parar a um celeiro na Califórnia, nos EUA; mas a verdade é que aconteceu. O melhor da história é que um colecionador suíço resgatou o modelo de competição das condições desoladoras em que se encontrava em 2013 e encarregou a Porsche do restauro integral. O processo demorou dois anos e meio a concluir, com o carro a ser entregue finalmente ao cliente em 2016, na cor original, um amarelo claro código 117 – a mesma utilizada 44 anos antes. Já os autocolantes dos patrocinadores, igualmente fieis aos originais, foram colocados à posteriori. Além disso, em homenagem ao triunfo em La Sarthe, o veículo recebeu o número 41. O carro foi agora entregue pelo distribuidor Porsche de Zurique.
Não satisfeito com isso, o mesmo colecionador suíço encomendou à Porsche uma réplica moderna do carro. Recorrendo à divisão de encomendas especiais Sonderwunsch, foi criado um modelo único com base no 911 S/T 992 – uma criação já em si exclusiva, limitada a 1963 unidades, lançada em 2023. Para começar, este “one-off” recebeu a mesma pintura do carro homenageado, que não fazia parte do catálogo. A pintura foi aplicada manualmente, através de um trabalho meticuloso, sobretudo difícil devido aos componentes em fibra de carbono. A isso junta-se um conjunto de autocolantes inspirados no original. A Porsche completou o ramalhete com a inclusão de umas jantes forjadas em magnésio em prateado escuro, pinças de travão em preto e um interior em preto. Por sua vez, o motor não sofreu qualquer alteração, mantendo-se ao serviço o 4.0 de seis cilindros boxer naturalmente aspirado de 525 cv, associado a uma caixa manual de seis velocidades.
O 911 S/T de corridas foi encomendado em novembro de 1971 pelo piloto americano Michael Keyser, com um motor 2.5 – uma opção oferecida pela fábrica em substituição do bloco 2.4 original. Após um calendário com várias corridas, o carro foi inscrito pela equipa francesa Louis Meznarie nas 24H de Le Mans. Pilotado por Keyser, que partilhou o volante com o francês Sylvain Garant e com o alemão Jürgen Barth, o carro venceu na categoria entre 2001 e 2500 cm3, ficando em 13º na geral. A sua última participação numa corrida foi em 1975 nos EUA. O coupé mudou de dono por duas vezes nos anos seguintes, tendo desaparecido pouco depois. Quando foi encontrado estava pronto para ir para a sucata, com a aparência de um 911 tipo G e pintado de azul. Tinha sofrido um acidente, que foi mal reparado, e encontrava-se parcialmente desmontado. A corrosão tinha causado danos significativos e o teto estava irremediavelmente deformado, devido a crianças terem usado o carro como brinquedo por algum tempo.






