VW congela desenvolvimento do ID Golf

VW ID Golf - render digital da autoria da Autocar

O projeto encontra-se suspenso por tempo indeterminado, mas o lançamento do novo modelo ainda assim está previsto para o início da próxima década.

O desenvolvimento do ID Golf foi interrompido enquanto a Volkswagen enfrenta grandes prejuízos, mas o lançamento ainda está previsto para o início da década de 2030. Assim, o grupo alemão  confirmou oficialmente que o desenvolvimento da nona geração do Golf – que seria totalmente elétrica – foi adiado por tempo indeterminado, devido às dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa. O anúncio foi feito a par da divulgação dos resultados da empresa (sediada em Wolfsburg) referentes ao período de janeiro a setembro de 2026. O cenário é desafiante para o construtor, o que se torna ainda mais lamentável tendo em conta que, na lista de finalistas do prémio COTY na Europa, todos os modelos são veículos elétricos.

“O ambiente de mercado continua extremamente desafiante, e itens extraordinários estão a pesar sobre os nossos resultados. Por isso, é ainda mais importante mantermos, de forma sistemática, o rumo que escolhemos e refinarmos ainda mais as nossas prioridades… Uma medida específica, portanto, é pausar temporariamente o desenvolvimento do futuro ID.Golf (na imagem, um “render” da Autocar), dentro da marca Volkswagen, até que possamos acomodar, com segurança, os investimentos necessários”, afirmou David Powels, Diretor Financeiro da marca Volkswagen e do “Brand Group Core”. Ele mostrou-se, contudo, satisfeito com o desempenho das vendas da atual gama de veículos elétricos, mas manifestou preocupação com a redução das margens de lucro. “Os nossos veículos elétricos são atrativos e estamos a observar um aumento significativo da procura. Por outro lado, ainda não atingem as margens dos nossos modelos a combustão; isto significa que a crescente quota dos veículos elétricos a bateria está, neste momento, a elevar a pressão sobre os custos. Por isso, estamos a trabalhar de forma sistemática nos custos dos produtos, nas economias de escala e na construção de uma base de custos competitiva, de forma a alcançar a rentabilidade necessária também para os nossos modelos elétricos.”

Inicialmente previsto para ser lançado em 2028, o lançamento do Golf elétrico foi adiado devido a falhas de software e à priorização, por parte da marca, da nova plataforma SSP. Após este novo atraso, o ID.Golf poderá chegar às ruas apenas na década de 2030. Isto significa que a atual oitava geração do Golf – equipada com motor de combustão – deverá permanecer no mercado durante mais de uma década, dado que foi apresentada no final de 2019 e sofreu uma atualização no início de 2024. O mesmo se aplica ao elétrico ID. 3, que entrou em produção em 2019, recebeu atualizações pontuais em 2023 e um restyling mais abrangente em 2026, quando adotou a designação ID. 3 Neo. Face a este cronograma, é provável que a VW considere introduzir novas atualizações de estilo e tecnologia tanto para o Golf como para o ID. 3 Neo, de forma a mantê-los competitivos face aos modelos mais recentes. Ainda assim, ambos os hatchbacks manterão as plataformas atuais – MQB Evo e MEB -, reservando as alterações mais significativas para os seus sucessores baseados na arquitetura SSP, que utilizará um novo sistema de software desenvolvido em parceria com a Rivian.

O portefólio do Grupo Volkswagen será reduzido para metade nos próximos anos, e o pessoal sofrerá um corte adicional de até 50 mil pessoas – totalizando cerca de 100 mil despedimentos desde 2024. Quanto aos resultados do Grupo Volkswagen referentes aos primeiros nove meses de 2026, estes foram, na sua maioria, negativos face ao período homólogo de 2025. Mais concretamente, o cash flow líquido caiu 67%, para 1,434 mil milhões de euros; o resultado operacional caiu 8,3%, para 4,326 mil milhões de euros; e a receita recuou 0,5%, para 106,417 mil milhões de euros. Por fim, o volume de vendas diminuiu 0,5%, totalizando 3.753.000 veículos, e a margem operacional desceu de 4,4%, no ano anterior, para 4,1%. Entre as diferentes marcas do grupo, a VW Passenger Cars foi fortemente atingida, registando uma quebra de 1,8% nas vendas, uma redução de 3% na receita de vendas, um resultado operacional 45% pior e uma queda de 44% na sua margem operacional.

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