Ferrari F50 com 170 km vai a leilão

Ferrari F50

Estima-se que este exemplar poderá vir a ser arrematado nos EUA por um valor recorde superior a 18 milhões de euros.

Apresentado no Salão Automóvel de Genebra de 1995, o Ferrari F50 é considerado um dos modelos que incorporou mais tecnologia vinda da Fórmula 1. Na prática, este modelo é uma espécie de versão homologada para estrada do 333 SP – um desportivo que a marca de Maranello desenvolveu com base no seu programa de F1 de 1990 e que conquistou vários campeonatos, incluindo títulos no IMSA GT e na FIA. Paul Frère, vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1960, escreveu mesmo que, com este modelo, o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, pretendia proporcionar ao condutor “a sensação de estar a conduzir um carro de Grande Prémio”.

O motor V12 4.7, colocado num ângulo de 65 graus entre as bancadas de cilindros, derivava do propulsor 3.5 utilizado pela Ferrari na F1. Contava com cinco válvulas por cilindro, bielas de titânio e sistema de lubrificação por cárter seco. A potência era de 520 cv, com um binário máximo de 470 Nm. Tal como num modelo de F1, o bloco – feito de ferro fundido – era aparafusado diretamente à parte traseira da célula de sobrevivência em fibra de carbono (que pesava 102 kg) e servia como ponto de fixação para a suspensão traseira. A suspensão de braços sobrepostos com acionamento por “pushrod”, amortecedores com controlo eletrónico, suportes de roda em titânio, direção sem assistência e travões Brembo sem servofreio reforçavam a sua proximidade com um monolugar de F1. Contudo, diferentemente dos carros de Fórmula 1 da Ferrari – que, desde 1989, utilizavam borboletas de troca de relações de caixa eletro-hidráulicas -, o F50 contava com uma caixa manual de seis velocidades com grelha exposta. Acabaria por ser o último Ferrari de referência de gama a apresentar este tipo de caixa de velocidades. O desenvolvimento e os testes contaram com a participação de Jean Alesi, Gerhard Berger, Niki Lauda e do piloto de testes-chefe Dario Benuzzi. A revista Road & Track registou 3,6 segundos na aceleração dos 0 aos 97 km/h e o fabricante reportou uma velocidade máxima de 325 km/h. Os avaliadores descreveram a experiência ao volante da seguinte forma: enquanto a maioria dos carros exóticos oferece apenas uma vaga ideia do desporto automóvel de competição, o F50 “atira toda a sua intensidade bruta para a cara do condutor”. 

Para evitar que se repetisse o caso do F40 – do qual a Ferrari fabricou 1311 unidades face a uma procura que cresceu drasticamente -, a produção do F50 foi limitada a 349 veículos entre 1995 e 1997. O exemplar que surge nas imagens, com o número de chassis 107165, é a 334ª unidade produzida. Foi entregue novo através da Maranello Sales Ltd., em Egham, Surrey (no Reino Unido). Aliás, o autocolante do concessionário ainda está presente no para-brisas. O automóvel apresenta a cor Rosso Corsa, com interior em pele preta e detalhes em vermelho nos bancos – a combinação de cores mais fortemente associada a este modelo. Regista apenas 171 km. Segundo pesquisas do historiador da Ferrari, Marcel Massini, este carro começou a ser feito em 27 de junho de 1997, tendo sido concluído a 6 de agosto. Em dezembro do mesmo ano, foi enviado para a Grã-Bretanha. Posteriormente, o F50 foi exportado para o Japão. Aí, integrou durante muitos anos uma importante coleção particular em Kashiwa, na província de Chiba, perto de Tóquio. Por volta de 2015, passou a pertencer a um proeminente colecionador chinês de superdesportivos, que mantinha os seus automóveis em Düsseldorf, na Alemanha. Em junho de 2015, foi submetido a uma revisão realizada pela Rosso Scuderia. A Eberlein Automobile GmbH, sediada em Kassel, realizou manutenções adicionais em março de 2021 e fevereiro de 2025. Por fim, o veículo foi importado para os EUA com o objetivo de ser leiloado. Como é possível constatar, o carro está praticamente imaculado. Além disso, foi submetido a uma revisão recente e a uma inspeção da Ferrari Classiche no concessionário Ferrari of Newport Beach. Os acessórios originais de fábrica também se encontram, segundo a descrição, no mesmo estado de conservação. O conjunto inclui a capota rígida amovível e a mala de transporte original, na qual é acomodada quando o carro é utilizado na configuração “barchetta”. Estão também presentes os sapatos de pilotagem da J.P. Tod’s e um conjunto de três malas da Schedoni, acompanhadas de capas protetoras contra o pó. O pacote inclui ainda o kit de ferramentas, a chave de rodas e um estojo contendo fusíveis, lâmpadas e correias. O conjunto é completado por capas para o veículo, para os bancos e para o volante, acondicionadas numa bolsa da Ferrari. Seria difícil encontrar um exemplar mais bem conservado ou mais completo. A leiloeira Broad Arrow estima que possa vir a ser arrematado acima dos 18 milhões de euros, podendo vir a estabelecer um novo recorde para o modelo. O leilão será amanhã.

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