Mercedes-Benz E 350d 4Matic Cabrio

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Os familiares descapotáveis são cada vez mais uma espécie rara. Um dos últimos exemplos é o Classe E Cabrio.

O que é?

Os familiares descapotáveis são cada vez mais uma espécie rara. Um dos últimos exemplos é o Classe E Cabrio, com 4,83 metros de comprimento, cuja nova geração foi lançada em Portugal no final do verão passado. Nessa altura, a Mercedes-Benz dividiu a gama entre duas propostas a gasolina e outras tantas Diesel. A versão de topo a gasóleo, uma das que estreia neste modelo a tração integral 4Matic, é o 350d, que surge exclusivamente associado a uma caixa automática de nove velocidades 9G Tronic.

Porque devo comprar?

Essencialmente, este E Cabrio perde em relação ao modelo fechado no facto aumentar marginalmente os consumos (0,2 l/100 km, segundo os valores anunciados pela marca), numa média de 6,3 l/100 km, pelo peso do conjunto ser 85 kg superior face ao Coupé (1975 kg, no total), mas também na capacidade da bagageira, 40 litros mais fraca (com a cobertura fechada, a mala possui 385 litros). A capacidade da mala é escassa e o acesso algo exíguo e fundo, mas é suficiente para três malas pequenas numa escapadinha de fim de semana em família. Face ao E 220d Cabrio de 194 cv, o E 350d de 258 cv ganha nas prestações (0-100 km/h em 6,1 segundos em vez de 7,9 segundos). Mas o que também ganha em emoção reflete-se necessariamente nos consumos (com uma média de 6,5 l/100 km em contraste com os mais simpáticos 4,3 da versão de quatro cilindros). Este Diesel de topo do Mercedes-Benz Classe E Cabrio 350d traz um V6 3.0 debaixo do capot. Com uma resposta linear, consegue “agarrar-se” à estrada como poucos, sem perder a compostura, muito por via da ação da tração integral – algo que pudemos comprovar em estradas “rápidas” de serra. O facto de possuir uma suspensão 15 mm mais baixa face à berlina ajuda também ao bom comportamento, especialmente comparado com o modelo da geração anterior. Mas mesmo com o modo Sport acionado, o E Cabrio nunca chega a ser propriamente brusco, preferindo uma pose de compostura e refinamento, assumindo-se como um “cruiser” com um cheirinho desportivo. O motor tem uma sonoridade muito filtrada, sem parecer um seis cilindros. A direção é bastante leve e a suspensão pneumática Airmatic  (2350 euros), que ajusta a carroçaria em altura, permite um nível de conforto elevadíssimo em todo o tipo de piso – tornando-se num extra praticamente obrigatório. Durante o nosso ensaio obtivemos uma média de consumos a rondar os 9 l/100 km (cerca de 7 l/100 km em autoestrada – onde circula facilmente abaixo das 2000 rpm). As passagens de caixa não são nada bruscas e os modos de condução do Drive Select não chegam para transfigurar propriamente o carro. O conjunto parece um pouco pesado mas no final de contas o motor ajuda a que seja possível sair de qualquer situação, no extremo nas ultrapassagens em autoestrada numa subida.

Onda num mar tranquilo

Os níveis de conforto para os ocupantes do Cabrio são similares aos do Coupé. O teto automático em lona (de uma qualidade exemplar, igual à do Classe S Cabrio) pode ser acionado até aos 50 km/h, demorando 20 segundos a cumprir completamente um bailado que ocorre de forma muito silenciosa. De capota fechada, a 120 km/h, quase não nos esquecemos que estamos perante um descapotável, pois os ocupantes dos lugares dianteiros estão bem escudados. Em autoestrada, é possível manter uma conversa de “cabelos ao vento” com os ocupantes dos lugares traseiros, não se notando muito a deslocação do ar. Para os baixos níveis de ruído é importante ativar os defletores aerodinâmicos automáticos Aircap. E de modo a incrementar os níveis de conforto é quase imprescindível a utilização do sistema Airscarf, que aquece a nuca dos ocupantes dos lugares dianteiros. Além disso, os bancos em couro perfurado castanho (aquecidos e com memória) possuem um sistema que permite resistir melhor ao calor. Os bancos traseiros deste modelo 2+2 também são aquecidos mas o espaço não é tão abundante como à frente. Por isso, recomenda-se que sejam sobretudo utilizados por crianças, devido ao escasso espaço para joelhos e em altura. A posição destes bancos é mais vertical e o rebatimento (possível através de dois botões na zona lateral da mala) nunca é totalmente plano. Atrás dos ocupantes dos lugares posteriores, existem dois arcos de segurança que se posicionam de forma automática. O interior, de aspeto muito moderno, sai de sobremaneira favorecido com o Pack Premium Plus (5350 euros), que inclui o sistema de estacionamento de câmara de 360 graus, entre outros. O sistema de infotainment da unidade ensaiada é o mais evoluído da gama: baseado em dois ecrãs de 12,3 polegadas (um para a instrumentação, totalmente configurável, e outro, ao centro do tablier, para as restantes funções), é muito completo e tem uma ótima resolução de 1920×720 px. Wi-Fi hotspot, o smartphone a fazer de chave e informações de trânsito em tempo real e o serviço de “concierge”, são algumas das restantes mais-valias tecnológicas. Já os “touch pads” no volante requerem alguma habituação.

Em suma…

Muito elegante, o E350d Cabrio é imponente – sobretudo nesta versão equipada com a linha exterior AMG (2300 euros) -, confortável e luxuoso, conseguindo ser prático para uma utilização quotidiana. Está mesmo a pedir a vinda dos dias de sol, para que possa ser explorado na sua plenitude! É despachado sempre que é preciso, sem nunca chegar a ser emocionante de conduzir. Se o preço é um grave entrave, com o 220d já fica bem servido.

Que opções tenho?

Disponível a partir de 88.750 euros, o E 350d Cabrio custa mais 7150 euros do que o Coupé equivalente que lhe serve de base e mais 18.500 euros que o E 220d Cabrio. Na gama existem ainda, mas apenas mediante encomenda, as versões a gasolina E200 Auto com um 2.0 de 184 cv (desde 70.300 euros) e a E400 Auto 4Matic com um 3.0 de 333 cv (a arrancar nos 91.850 euros).

Neste momento, já não há muitos familiares de quatro lugares descapotáveis no mercado: o Audi A5 Cabrio (2.0 Diesel com caixa S tronic quattro começa nos 59.204 euros) e o Ford Mustang Convertible (2.3 a gasolina com 290 cv e caixa manual começa nos 56.780 euros) são mais pequenos e significativamente mais baratos. Por isso, o E Cabrio opera numa liga muito própria, em termos de posicionamento.

Há desconto?

Infelizmente, não.

 

Ficha Técnica

Motor

Tipo 6 cilindros em V

Cilindrada 2987 cc

Potência 258 cv às 3400 rpm

Binário 620 Nm entre as 1600 e as 2400 rpm

Transmissão

Caixa automática de nove velocidades

Carroçaria

Comprimento 4826 mm

Largura 1860 mm

Altura 1437 mm

Distância entre eixos 2873 mm

Peso 1975 kg

Mala 385 litros

Depósito de combustível 66 litros

Pneus 275/30 R20

Prestações

Velocidade máxima 250 km/h

0-100 km/h, 6,1 segundos

Consumos (ciclo NEDC)

EU/cidade (l/100 km) 8,1

EU/estrada (l/100 km) 5,6

EU/combinado (l/100 km) 6,5

Emissões de CO2 combinados (g/km) 170

Preço

Base 88 750 euros

Unidade ensaiada 110 486 euros

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