Citadino de aspeto retro poderá ser fortemente baseado no original.
A Citroën está a equacionar o eventual regresso do 2CV, mais de três décadas depois de este ter deixado de ser produzido. Segundo o designer Pierre Leclercq em declarações à Autocar, o projeto encontra-se numa fase inicial, sendo que poderá vir a materializar-se eventualmente em 2028 (altura em que se comemora 80 anos da apresentação do modelo original). Apesar de ter vindo a negar que quer seguir o mesmo caminho de recuperar designações do passado como tem feito a rival Renault, a Citroën poderá estar em vias de mudar de opinião após o sucesso do novo Renault 5 (que devido ao baixo preço vendeu 9973 exemplares só em França no mês passado – batendo as 1721 do ë-C3). Aliás, em novembro de 2024 – primeiro mês completo de comercialização do 5 – o novo hatchback desempenhou um papel fundamental no aumento da quota de mercado da Renault no mercado francês de automóveis elétricos, que passou de 16,3% (de janeiro a outubro) para 23,2%.
Com este regresso do 2CV, a Citroën está a apontar para uma reinterpretação muito fiel ao original, tal como se o clássico nunca tivesse deixado de ser produzido (na imagem, um “render” digital da Autocar). Já no ano passado, quando apresentou o facelift do quadriciclo elétrico Ami, também inspirado no 2CV, a Citroën mostrava algum apetite retro – tudo a começar no logo histórico do duplo chevron, mas também nos faróis de olhos esbugalhados e as reentrâncias em forma de ventosa nas asas. O mote do 2CV original era levar a mobilidade à população em geral francesa do pós-guerra. E, com efeito, existem alguns paralelismos com a necessidade de nos dias de hoje ser necessário acelerar a transição para os elétricos como um produto o mais acessível possível. Daí que o regresso do 2CV sob a forma de um elétrico possa fazer sentido.
A base do novo 2CV deverá ser a Smart Car, a mesma do novo C3, do Fiat Grande Panda e do Opel Frontera. Contudo, é possível que a marca francesa possa ainda tentar reduzir ainda mais custos, afinal de contas o C3 tem “luxos” como tais como os batentes hidráulicos. A nível de motor, a prioridade deverá ser a eficiência e não a performance, acompanhada de uma bateria pequena e com pouca capacidade – o mais barata possível de desenvolver. Já recentemente o CEO da Citroën, Thierry Koskas, admitia à Autocar que as baterias são o elemento que está a dificultar a redução do preço dos elétricos, representando cerca de 40% do custo final. Apesar de Smart Car suportar sistemas a combustão pura e “mild hybrid”, o 2CV deverá cingir-se à eletrificação total. Recorde-se que o maior motor a gasolina de sempre que a Citroën utilizou num 2CV tinha 602 cc e debitava 32 cv. A materializar-se, o 2CV posicionar-se-á entre o Ami e o C3, e terá como concorrentes o Dacia Spring e o Leapmotor T03.