Repleto de elementos retro, o protótipo elétrico apresentado no Salão de Paris poderá avançar para um modelo de produção, ideal para famílias numerosas.
Inspirado no modelo original de 1984, o concept E-Space foi um dos destaques no stand da marca francesa no Salão de Paris. Concebido, sobretudo, como um projeto para demonstrar a direção de design adotada pelo novo responsável de estilo da marca, Alexandre Malval, este modelo poderá, no entanto, avançar para produção. O foco é, para já, o lançamento da Trafic E-Tech no próximo ano, o primeiro veículo da marca definido por software. Depois, o passo seguinte será a renovação do Scénic e do Rafale.
A Renault já tinha referido que “exploraria possíveis futuros” para o E-Space, mas ainda não se tinha pronunciado sobre a intenção de o levar à produção. Atualmente, a empresa está a desenvolver uma nova arquitetura, denominada RGEV Medium 2.0, para os seus futuros veículos – base na qual seria provavelmente construído um eventual Espace de produção. Esta plataforma flexível, em formato “skate”, pode acomodar tanto sistemas de propulsão totalmente elétricos como sistemas com extensor de autonomia, contando com um sistema elétrico de 800V que permite um carregamento ultrarrápido. A Renault afirma que os veículos elétricos baseados nesta plataforma poderão oferecer uma autonomia de até 750 km, enquanto os modelos com extensor de autonomia poderão atingir os 1400 km.
O Espace original foi fundamental para popularizar os veículos destinados ao transporte de passageiros (monovolumes). Manteve este formato até 2023, quando passou a ser uma versão alongada do SUV Austral. Contudo, no meio de uma onda de nostalgia – liderada pelo Renault 5 -, a marca está a ponderar um regresso à tradição. Um dos principais elementos de design que remetem para o passado é o para-brisas bastante inclinado, que faz lembrar os comboios de alta velocidade franceses TGV. Já a asa traseira remete para as barras de tejadilho que eram um traço marcante na terceira e quarta geração do Espace. A Renault informou que o Espace foi concebido de dentro para fora, com uma área envidraçada maximizada para garantir que a cabine é iluminada e arejada. O projeto foi buscar inspiração à Farnsworth House, obra do arquiteto Ludwig Mies van der Rohe – expoente da escola Bauhaus -, uma construção monolítica revestida quase na totalidade por janelas. Com este objetivo, a Renault informou que procurou dissimular as junções entre a secção em formato de caixa – caraterizada por amplas superfícies envidraçadas – e a carroçaria convencional. O efeito é especialmente notável nos pilares D, onde o aileron parece “flutuar” sobre o vidro, realçado por uma iluminação de fundo.
O E-Space pode acomodar seis pessoas em três filas de bancos. Os passageiros da segunda fila têm à sua disposição mesas dobráveis fixas no encosto dos bancos da primeira fila. Em alternativa, podem rodar os seus assentos para ficarem virados para a terceira fila, criando uma configuração semelhante à de um comboio. Os bancos da segunda fila também podem ser rebatidos totalmente, transformando-se numa mesa para os ocupantes da terceira fila. Na parte dianteira, encontra-se o novo ecrã “OpenR Panorama”, que se estende a toda a largura do painel. A Renault informou que esta funcionalidade entrará em produção na próxima geração dos modelos Scenic e Rafale, com lançamento previsto para cerca de 2030. Um ecrã tátil mais pequeno, dedicado ao sistema de infoentretenimento – suspenso no painel de instrumentos para estar mais próximo do condutor -, permite controlar funções como a música e a navegação por GPS. De notar que o E-Space utiliza um volante do tipo “yoke”. O veículo emprega um sistema de direção “steer-by-wire”, o que significa que não existe ligação mecânica às rodas dianteiras. A ausência da coluna de direção tradicional liberta mais espaço na zona dos pés. No próprio “yoke”, encontram-se controlos sensíveis ao toque utilizados para interagir com o ecrã OpenR.







