Porsche 911 GT2 RS Flachbau

Desde restauros do Carrera GT, a automóveis feitos por medida, desse lote consta ainda um “one-off” que custa mais de 13 milhões de euros.

A Porsche pretende reduzir o seu ponto de equilíbrio para menos de 200 mil veículos por ano. O fabricante alemão está a virar a sua atenção para um segmento mais sofisticado, no qual automóveis altamente personalizados, modelos exclusivos (exemplares únicos) e projetos de restauro que custam centenas de milhares de euros podem gerar lucros expressivos, sem a necessidade de se focar num elevado volume de vendas. Esta estratégia faz parte de um esforço mais vasto da Porsche para recuperar a sua rentabilidade após um período difícil, marcado pela queda dos lucros, tarifas, concorrência feroz na China e um investimento pouco conseguido na eletrificação. Em vez de apenas vender mais veículos, a empresa procura aumentar o ganho por unidade, especialmente nos modelos topo de gama.

Isto implica oferecer aos clientes de elevado poder de compra mais oportunidades de encomendar veículos que mais ninguém pode comprar. A divisão “Sonderwunsch” (de encomendas especiais) da Porsche está a trabalhar, atualmente, em 15 projetos de modelos exclusivos, com preços que variam entre pouco menos de perto de 2 milhões de euros e aproximadamente 13 milhões de euros, segundo informou Alexander Fabig, vice-presidente da área de Individualização e Clássicos, em entrevista ao “Automotive News”. O programa Sonderwunsch eleva a personalização a um patamar muito superior à simples escolha de uma cor de pintura invulgar ou à seleção de todos os itens da lista de opcionais. Os clientes podem encomendar veículos à medida que exigem novos componentes e um extenso trabalho de desenvolvimento, transformando um desportivo já exclusivo numa criação verdadeiramente única. A Porsche também vê potencial nos chamados modelos “few-off” (produzidos em produção extremamente limitada). Estes veículos situam-se entre as edições limitadas convencionais e os exemplares únicos (feitos à medida), oferecendo à empresa uma forma adicional de cobrar um valor significativamente mais elevado por veículos produzidos em quantidades muito reduzidas. 

As ambições vão além da personalização. A Porsche está a explorar formas de aumentar a rentabilidade dos seus modelos de alto desempenho. Os futuros veículos topo de gama da marca poderão custar mais de 200% acima do preço de um 911 de entrada de gama. Por outras palavras, um desportivo suficientemente exclusivo poderia custar mais de três vezes o valor do 911 mais acessível. A Porsche também tem encontrado oportunidades lucrativas em automóveis fabricados há décadas. O seu programa de restauro de fábrica permite aos proprietários do Carrera GT terem os seus superdesportivos com motor V10 restaurados a uma condição mecânica equivalente à de um veículo novo, sendo o trabalho realizado por especialistas que conhecem estes modelos a fundo. Segundo Fabig, o custo varia entre os 450 mil e pouco mais de 700 mil euros por carro, sem contar com o valor do próprio veículo. Até à data, a Porsche concluiu 11 restauros, com outros 16 carros em processo e 21 em fila de espera. Ao todo, são 48 unidades do Carrera GT — entre as já concluídas, as que estão em curso e as que aguardam a sua vez. Recorde-se que a Porsche fabricou apenas 1270 unidades do Carrera GT entre 2003 e 2006, o que torna a escala deste programa particularmente notável. Os 48 automóveis já concluídos ou em fila representam quase 4% da produção total, enquanto apenas as 11 unidades finalizadas já constituem uma parcela significativa desta frota relativamente pequena. O trabalho pode ir muito além de um restauro convencional. A Porsche pode desmontar o automóvel, rever os seus componentes mecânicos e devolvê-lo numa condição que, na prática, confere ao superdesportivo uma segunda vida. Os proprietários podem também solicitar personalizações no exterior e no interior, criando um veículo que une um restauro com o apoio da própria fábrica a toques exclusivos e individuais.

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