Bugatti poderá combinar motor V16 com caixa manual

Bugatti Tourbillon

A marca francesa poderá mesmo vir a abdicar dos seus motores elétricos em detrimento de um conjunto puramente a combustão, com três pedais.

A Bugatti tem-se destacado mais recentemente pelos seus hipercarros de desempenho extremo, mas Mate Rimac está a equacionar uma abordagem diferente para o futuro. O responsável da marca francesa deu a entender que o Tourbillon (na imagem), equipado com um motor V16 desenvolvido pela Cosworth, não é apenas um hipercarro, mas sim uma plataforma, e que os seus futuros derivados poderão permitir ao fabricante de Molsheim alargar os seus horizontes.

Assim, quer se tratem de novas variantes ou modelos distintos estes poderão incluir uma versão mais leve e envolvente, eliminando possivelmente o sistema híbrido e a caixa de dupla embraiagem em detrimento de um motor de combustão tradicional, acoplado a uma caixa manual. Ouvido pela Top Gear, Rimac disse que, agora que a Bugatti está livre das amarras corporativas do grupo Volkswagen, a empresa pode pensar “fora da caixa”. Quando questionado se a Bugatti poderia adotar uma caixa manual, Rimac mostrou-se entusiasmado: “Com certeza. Podem apostar”. Recorde-se que o Tourbillon “convencional” esgotou ainda antes do início da produção. Isto significa que o mesmo poderia facilmente acontecer com uma versão puramente a combustão, com caixa manual. Bastaria eliminar os três motores elétricos, a caixa de dupla embraiagem e, especialmente, a bateria de 25 kWh para tornar o carro muito mais leve – o que, sem dúvida, beneficiaria a experiência de condução. Ou seja, abdicaria do sistema híbrido em favor de um V16 puro combinado com uma caixa manual. Só esse motor aspirado com 8,3 litros debita 1000 cv sem qualquer ajuda elétrica, atinge 9000 rpm e desenvolve 900 Nm de binário. O maior desafio seria desenvolver uma caixa manual capaz de suportar tamanha potência. 

Para já, a Bugatti não confirmou os planos para uma versão mais leve do Tourbillon com caixa manual. Ainda assim, tendo em conta que Mate Rimac é um verdadeiro entusiasta automóvel – e sabe que os hipercarros elétricos não estão a vender assim tão bem -, um Tourbillon “analógico” parece uma escolha óbvia. O gigantesco motor V16 do Tourbillon é já, por si só, uma afronta direta à tendência de “downsizing” que domina a indústria. Enquanto outros fabricantes extraem mais potência de motores mais pequenos através de turbocompressores, a Bugatti seguiu o caminho oposto, desenvolvendo um motor aspirado com o maior número de cilindros alguma vez visto num automóvel de estrada de produção. Além disso, a presença de três pedais é algo cada vez mais raro no universo dos automóveis de alta performance – sobretudo no segmento dos hiperdesportivos, onde os fabricantes são obcecados pelos tempos por volta e pelos números de aceleração.

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