Kia Sportage 1.6 CRDi vs. 1.6 GDI

Kia Sportage 1.6 CRDI 136 cv manual TX View Gallery 31 photos

Um dos aspetos principais da renovação da gama Sportage foi a chegada do motor 1.6 Diesel, substancialmente mais económico face ao antecessor. Mas será o suficiente para tirar o sono à concorrência? E quando comparado com o já conhecido 1.6 a gasolina?

O que é?

Atualmente na quarta geração, o SUV Sportage é o pilar de vendas da Kia na Europa e o facelift agora introduzido no mercado nacional traz uma particular aliciante: a chegada do novo motor 1.6 CRDI, um quatro cilindros turbodiesel, com 136 cv, em substituição do 1.7 CRDI de 115 cv. O novo motor a gasóleo promete, sem menosprezo dos esforços que têm sido feitos pelos coreanos nos últimos anos, ser o motor mais limpo alguma vez construído pela Kia/Hyundai. Ensaiámos a versão de equipamento intermédia TX, a mais procurada pelos portugueses, com o novo 1.6 CRDI com 136 cv, e a versão de acesso à gama, com o motor 1.6 GDI, uma quatro cilindros a gasolina atmosférico, no nível base SX (nas imagens, a azul).

Para que serve?

Já tínhamos experimentado o motor 1.6 CRDI no novo Ceed, por isso não nos surpreendeu o seu refinamento quando ao serviço do Sportage. O novo bloco, que recorre ao aditivo AdBlue (que faz com que a mala passe de 503 para 476 litros de capacidade, ou de 480 para 467 litros nas versões com pneu suplente), carateriza-se por ter muito pouca da aspereza que normalmente associamos aos Diesel, mesmo a frio, comparativamente com o seu antecessor de maior cilindrada. O bom isolamento acústico também deixa que seja muito pouco o ruído a passar para dentro do habitáculo. Além disso, nota-se a subida de potência face ao motor anterior, o que lhe permitiu ganhar um segundo na aceleração de 0 a 100 km/h, agora cumprida em 11,2 segundos). De acordo com a marca, o binário máximo é atingido às 2000 rpm. Contudo, reparámos que entre as 1800 e as 4000 rpm não há qualquer problema para movimentar os cerca de 1500 kg deste SUV do segmento C. A sexta relação da caixa de velocidades revela-se muito longa, isso reflete-se nos consumos de menos 1/100 km, segundo a marca (a uma média anunciada de 6,5 l/100 km – fizemos uma média de 6,7), mas também uma redução considerável nas emissões de CO2. A caixa manual de seis velocidades tem um funcionamento muito preciso e suave. O Sportage é cumpridor e simples de conduzir, com poucos ruídos parasita. Dinamicamente tem um comportamento neutro e sem ser divertido revela uma agilidade acima da média do segmento, com pouco adorno da carroçaria em curva. A suspensão dianteira de tipo MacPherson e multibraços no eixo posterior permitem uma sensação de solidez e com boa tração, apesar de um amortecimento mais a pender para o firme. A direção é leve e pouco informativa.

Quem queira um desempenho melhor pode sempre optar pelas versões a gasolina. Foi nesse sentido que testámos o Sportage equipado com o motor 1.6 GDI, um quatro cilindros atmosférico com 132 cv. Se procura um SUV urbano e não pretende fazer percursos fora de estrada mais radicais nem grandes acelerações, este motor de acesso à gama serve perfeitamente. O motor revela um funcionamento suave e refinado, com poucas vibrações, o que se reflete numa condução despreocupada. Tendo em conta que se trata de um bloco atmosférico, tem prestações razoáveis. A sua capacidade de aceleração a baixos e médios regimes é satisfatória, mas é bom que não deixe cair muito a rotação, pois terá de “meter uma abaixo” para conseguir fazer render os 161 Nm de binário máximo até às 4000 rpm numa subida mais íngreme ou numa ultrapassagem. Ainda assim, é possível desenvencilhar-se bem da maior parte das situações. Os consumos pareceram-nos razoáveis para um modelo com estas caraterísticas: 8 l/100 km de média.

Visualmente, o Sportage continua (e muito bem) a “piscar” o olho aos SUV da Porsche. Mas, apesar de estar mais moderno com este facelift, continua a não ser das propostas mais deslumbrantes do seu segmento. Traz essencialmente grelha e faróis em LED redesenhados, novas jantes e acabamentos cromados. Por dentro, a principal virtude do Sportage mantem-se: a sua simplicidade. Mas, comparativamente com o Ceed, nota-se o peso dos anos. Sem grandes rasgos de modernidade, predomina no Sportage o ambiente sóbrio e de solidez. Há muito desafogo e funcionalidade a bordo, sendo que a instrumentação e sistema de infotainment são de utilização intuitiva. Na segunda fila de bancos há muito espaço em altura e comprimento, e até em largura (para, com jeitinho, caberem três ocupantes) – sendo possível rebater os bancos em 17 posições (entre 23 e 37 graus). O volante, os comandos do ar condicionado e alguns comandos foram resenhados. Espaços para arrumação não faltam e a ergonomia é cuidada. Existem também alguns novos equipamentos que agora chegaram à gama, ao nível de segurança (controlo de atenção do condutor, assistente de permanência na faixa de rodagem, aviso de ângulo morto ou cruise control adaptativo) e conetividade (nomeadamente a navegação com sistema Tom Tom de série). A posição de condução é boa e o acesso aos comandos também. Contudo, os bancos pecam pelo conforto e escasso apoio lombar.

Porque devo comprar?

O Sportage cumpre muito bem a sua função como meio de transporte do ponto A ao ponto B, pois é muito equilibrado e agradável de conduzir. Quem quer emoções fortes deverá procurar outro SUV do segmento C. Entre os seus pontos fortes estão o abundante espaço a bordo, uma dose generosa de equipamento, a sua fiabilidade comprovada e o novo motor Diesel 1.6 CRDI, que prima pelo refinamento e baixos consumos. Aliás, graças a este motor o Sportage deverá entrar na lista de opções para quem esteja a pensar num Skoda Karoq, Nissan Qashqai ou Hyundai Tucson. Na hora do deve e do haver, o Sportage a gasolina não é tão económico como o Diesel, como seria de esperar. A proposta Diesel é a mais recomendável, mas a diferença de preço face ao gasolina dará seguramente que pensar.

Que opções tenho?

A gama do Sportage é composta por quatro motores: os dois gasolina 1.6 GDI de 132 cv e o 1.6 T-GDI (turbo) com 177 cv, e o Diesel 1.6 CRDI com versões de 115 e 136 cv (este último o único com opção de caixa de dupla embraiagem de sete velocidades). Há três níveis de equipamento à escolha: SX, TX e GT-Line. A versão de acesso a gasolina começa nos 31.061 euros e o novo Diesel 1.6 CRDI de 136 cv, com caixa manual, no nível de equipamento TX, nos 40.041 euros. Há cerca de 9 mil euros de diferença entre os dois modelos ensaiados.

Há desconto?

A campanha de lançamento do renovado Sportage inclui um desconto de 6 mil euros no gasolina e de 8 mil no Diesel. Isso faz com que o 1.6 GDI comece pouco acima dos 25 mil euros e que o 1.6 CRDI de 132 cv TX (mais equipado e mais económico) pouco acima dos 31 mil euros. Ainda assim, são 6 mil euros de diferença.

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