Este Chrysler Turbine Car acaba de ser vendido

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Trata-se de um dos dois protótipos atualmente nas mãos de particulares do modelo de 1963 que dispõe de uma recriação de um motor de avião a jato.

Em meados da década de 1950, em pleno “boom” da era da aviação (e em particular dos aviões a jato), a Chrysler começou a explorar a ideia de encaixar motores de aviões a jato nos seus carros. Na época, os engenheiros da marca norte-americana só viam vantagens nesta solução, uma vez que eram motores silenciosos (pelo menos, a um ritmo normal), que quase não exigiam manutenção e apresentavam uma relação peso/potência muito interessante. Foi quando começaram os testes que surgiram os diversos inconvenientes do projeto do “carro turbina”, nomeadamente os elevados consumos (16 a 17 l/100 km, em média), o calor exagerado que geravam, o valor muito alto de NOx ou o atraso na resposta até haver uma aceleração efetiva. Apesar disso, no início da década seguinte já tinham sido produzidos 55 protótipos.

O Turbine Car tinha 5120 mm de comprimento, 1851 mm de largura e 1359 mm de altura. Debitava 131 cv às 36.000 rpm e 576 Nm – com um “red line” às 45.700 rpm, um valor verdadeiramente supersónico, tendo em conta que, por exemplo, o Aston Martin Valkyrie e o Gordon Murray T.50 são hoje capazes de chegar a “apenas” 11.100 rpm. Ainda assim, este carro “turbina” ainda precisava de “longos” 12 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h e ficava-se por uma velocidade máxima de 140 km/h. A turbina funcionava com um compressor radial de um estágio, uma câmara de combustão e uma turbina axial de dois estágios. O primeiro estágio movia o compressor, o segundo estágio estava ligado a uma caixa automática de três velocidades TorqueFlite convencional, que, no entanto, funcionava sem conversor. Como combustível, a turbina podia suportar com quase qualquer portador de energia líquida: querosene, combustível de avião JP-4 (65% gasolina, 35% querosene), gasolina, Diesel e óleo vegetal. O então presidente do México, Adolfo López Mateos, chegou mesmo operar com sucesso seu carro movido a turbina com tequila. No entanto, a Chrysler alertou contra o uso de gasolina com chumbo – uma vez que isso poderia enfraquecer a turbina por gerar muitos resíduos de chumbo. O combustível mais facilmente disponível na época era tabu para o carro “turbina”. A maioria dos condutores usava Diesel ou óleo de aquecimento como combustível. A turbina tinha apenas 60 móveis, comparativamente com as cerca de 300 de um motor convencional.

Os protótipos desenhados por Elwood Engel e construídos pelo carroçador italiano Ghia foram enviados para testes em vários pontos dos EUA, antes de regressarem à fábrica para serem destruídos. Contudo, houve nove unidades que ficaram guardadas. Quase todas estão em museus, a exceção de duas que foram vendidas a particulares. Um destes Chrysler Turbine Cars pertence desde 2009 ao conhecido apresentador Jay Leno (ver vídeo abaixo) e a outra é a que está nas imagens. Com o número de chassis 991231, foi doada originalmente pela Chrysler à Harrah Collection em Reno, esteve nas mãos de Tom Monaghan (o fundador da Domino’s Pizza), antes de pertencer ao colecionador Frank Kleptz que a comprou na década de 1980. Este exemplar foi restaurado na década de 1990 com a ajuda da GE Engine Services e está perfeitamente funcional. Este Turbine Car acabou de ser adquirido por um comprador anónimo e por um valor desconhecido, através da plataforma Hemmings.

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