CEO ainda tinha mais de um ano e meio até ao fim do mandato.
Carlos Tavares demitiu-se de CEO da Stellantis com efeito imediato. Este anúncio da saída do português é surpreendente uma vez que este planeava abandonar as funções em 2026. Num breve comunicado, a empresa refere que os membros da direção aceitaram o pedido de Tavares, afirmando que já começaram a procurar um sucessor. A decisão para o novo CEO só será tomada durante a primeira metade do próximo ano. Entretanto, a gestão interinamente será assumida por um comité executivo que será nomeado pelo chairman John Elkann.
A Stellantis não esclarece, no entanto, os motivos que poderão ter levado o gestor luso a abandonar o cargo do conglomerado formado em 2021 e que agrega 14 marcas, mas o Diretor Independente Sénior, Henri de Castries, deu a entender que existiam divergências com Tavares. “O êxito da Stellantis desde a sua criação assenta num alinhamento perfeito entre os acionistas de referência, o Conselho de Administração e o Diretor-Geral. No entanto, nas últimas semanas, surgiram pontos de vista diferentes que levaram o Conselho de Administração e o CEO a tomar a decisão de hoje”, comentou de Castries. Estas afirmações fazem crer que a decisão da saída do português de 66 anos acaba por ser mútua, embora não saiba exatamente o motivo do diferendo entre as partes – algo que deverá ficar esclarecido nos próximos dias.
Já em outubro foi notícia que o sindicato UAW pressionou Tavares para demitir-se, ao mesmo tempo que os trabalhadores das fábricas italianas do grupo fizeram greve em protesto com os cortes na produção que se têm agravado ao longo dos anos. Do lado das concessões também tem havido reclamações, alegando que a Stellantis cometeu uma série de erros que resultaram em preços inflacionados, demasiadas viaturas em stock e uma linha de produtos sem “brilho”.