Com passagens também pela GM e pela BMW, o designer assinou ainda modelos como o RX-7.
Morreu Tom Matano, o designer do Mazda Miata original. O japonês tinha 76 anos. A história do designer está ligada sobretudo à Mazda, sobretudo por ter inaugurado o estúdio de design da marca nos EUA em 1983 e nesse mesmo estúdio ter liderado o projeto do MX-5/Miata (NA), convertendo a ideia em realidade. Pouco depois, assinou a terceira geração do RX-7 (FD), tido por muitos como um dos modelos japoneses mais bonitos de sempre. Matano era um membro particularmente querido da comunidade de entusiastas do MX-5. O nipónico atualizou o carro constantemente e incentivou muitos dos que o utilizavam em competições, tendo sido uma presença constante nos eventos “Miata” até ao final da sua vida. Aliás, muitos donos de MX-5 ostentam no carro a sua assinatura e o seu slogan “Always Inspired” (“Sempre Inspirado”). Após sair da Mazda, em 2002, Matano passou a ser o diretor executivo na School of Industrial Design em São Francisco, nos EUA. Lá ensinou muitos a serem designers. Retirou-se no início deste ano.
Nascido em Nagasaki em 1947, Tsutomo “Tom” Matano formou-se em engenharia na Seikei University em Tóquio em 1969, mas o seu objetivo era tornar-se designer de automóveis. Em 1970 foi para o Art Center College of Design, em Pasadena (Califórnia), nos EUA e após terminar o curso foi contratado pela General Motors, tendo trabalhado na divisão Oldsmobile, antes de ser enviado para o estúdio de design da Holden, na Austrália. Sete anos depois foi para a BMW, tendo estado envolvido no desenho preliminar do Série 3 E36. Apenas um ano após estar na Alemanha, Matano decidiu voltar para os EUA, assumindo-se como responsável de design do estúdio da Mazda em Irvine (na Califórnia). Nessa altura, no Japão, o ex-jornalista e responsável de produto Bob Hall, estava a trabalhar em torno de um conceito de um “desportivo leve”, nos mesmos moldes de roadsters clássicos como o Lotus Elan, o Alfa Romeo Spider, o MGB ou o Fiat 124. O principal defensor deste projeto era Kenichi Yamamoto, um dos criadores do motor rotativo, que se tornou presidente da Mazda entre 1984 e presidente do conselho diretivo em 1987. A Mazda desenvolveu grande parte do trabalho inicial no que se veio tornar o Miata no Japão, mas foi aquando da realização de um concurso de design entre os seus vários estúdios de design que os EUA entraram na equação. Em 1986, Matano escreveu um plano para o futuro do Miata: “escrevi a história de três gerações, como se alguém, 20 anos depois, comprasse um Guia do Colecionador do Miata”. O seu objetivo era não só fabricar o desportivo, mas também acompanhá-lo ao longo da sua vida.
O seu envolvimento no RX-7 também resultou de outro concurso entre os estúdios de design, sendo que foi o estúdio californiano liderado por Matano que levou a melhor. A Mazda escolheu o carro desenhado por Wu-Huang Chin, mas foi Matano o responsável pela ideia inicial, que queria que “tivesse linhas intemporais”. Após o sucesso do MX-5 e do RX-7, Matano passou a ser responsável de pesquisa e desenvolvimento da Mazda nos EUA, acumulando também as funções de supervisor de design global. O designer tinha na sua garagem um RX-7 FD e um MX-5 “M” Edition de 1996, que conduzia regularmente na sua casa na zona da baía de São Francisco.

