A divisão desportiva da marca de Munique prepara a sua maior ofensiva de sempre, com 30 novos modelos até 2029.
O CEO da BMW, Frank van Meel, diz que estão elencados 30 novos modelos para serem lançados nos próximos dois anos e meio – incluindo modelos M e M Performance. Na entrevista à CarSales, o gestor não entrou em detalhes, mas estima-se que além do facelift da dupla M5 e M5 Touring, encontra-se a caminho um novo M3 e um iX3 M. A estes juntar-se-ão renovados X5, X5 e X7, que darão origem a diversas variantes com selo M e M Performance. Além disso, é de esperar ainda um renovado Série 7 M Performance. Da lista deverão ainda fazer parte novos modelos especiais tradicionais, tais como as versões CS e CSL, que frequentemente marcam o fim de um ciclo de vida.
No que diz respeito aos modelos M Performance, van Meel afirmou que os modelos elétricos, tais como o i4 M60, têm sido mais populares em países nos quais as normas aplicadas a motores de combustão tornam os carros de elevada performance tradicionais mais caros. E deu o exemplo francês, onde é preciso pagar 18 mil euros de imposto sobre o CO2 por um M2 a combustão. Este cenário abre boas perspetivas para o próximo i3M, que contará com quatro motores (um por roda) – um modelo cuja recetividade do mercado ainda é uma incógnita. Apesar disso, o homem-forte da M garante que continuarão a ser opção os mais tradicionais modelos equipados com motores de seis e oito cilindros, apontados para os mais puristas ou para mercados onde os elétricos não tenham tanta expressão.
Já no que diz respeito às caixas manuais, van Meel é claro em afirmar que tendem a desaparecer a longo-prazo, devido à escassa procura a nível global. “Do ponto de vista da engenharia, a caixa manual não faz muito sentido, pois limita o binário e também o consumo de combustível”, afirma o gestor. No entanto, do ponto de vista emocional e do cliente, “muitas pessoas ainda adoram as caixas manuais, por isso temo-las mantido e pretendemos mantê-las o máximo de tempo possível”, acrescentou. Aliás, em 2025, os 40% dos clientes M preferiram a caixa manual, sendo o atual M2 considerado o último modelo novo feito com uma caixa manual de seis velocidades. Contudo, “no futuro, será bastante difícil desenvolver caixas manuais totalmente novas, porque o segmento no mercado é bastante pequeno e os fornecedores não estão muito interessados em fazer algo assim”, ressalva van Meel. Isto significa que a continuidade das caixas manuais estará provavelmente assegurada para os “próximos dois anos”, mas provavelmente tornar-se-á “difícil mante-las vivas, especialmente na próxima década”. Isto significa que deveremos continuar a ter o M2, M3 e M4 com opção manual até ao final da presente década.
Do ponto de vista estatístico, as caixas manuais trazem vantagens. Estudos mostram que estas são potencialmente mais seguras, porque a integração física no processo de condução aumenta a atenção cognitiva. Uma vez que o condutor tem de tomar constantemente decisões sobre a mudança ideal a engrenar e coordenar ambas as mãos e pés, é forçado a lidar ativamente com a situação de condução, o que dificulta distrações, tal como o uso do smartphone, por exemplo. A caixa manual funciona, assim, como uma espécie de proteção natural contra a falta de atenção, uma vez que o cérebro é mantido num estado de maior vigilância devido ao seu funcionamento mais complexo.