Os britânicos querem reduzir o número de efetivos nos próximos dois anos para combater as tarifas de importação dos EUA e as consequências de um ciberataque ocorrido no ano passado.
A Jaguar Land Rover deverá cortar aproximadamente 4 mil postos de trabalho nos próximos dois anos. A informação foi confirmada pelos responsáveis do maior fabricante automóvel do Reino Unido, após notícias publicadas no jornal britânico The Times durante o fim de semana. A Jaguar Land Rover enfrenta desafios que incluem as tarifas de importação dos EUA e as consequências de um ciberataque ocorrido no ano passado.
Os 4 mil empregos cortados representam cerca de 10% da força de trabalho global do fabricante. Com esta redução, a Jaguar Land Rover – que pertence à indiana Tata Motors – pretende poupar 1,7 mil milhões de libras (quase 2 mil milhões de euros). A empresa já tinha anunciado um programa de rescisões voluntárias no passado fim de semana, mas não especificou, na altura, o número de vagas envolvidas. A Jaguar Land Rover está também a reduzir o seu pessoal devido ao aumento dos custos e à concorrência dos fabricantes de automóveis chineses, como a BYD, que estão a lançar veículos mais baratos no mercado europeu. Além disso, a Jaguar Land Rover lida com a queda das vendas na China e com os desenvolvimentos do ciberataque. O ataque paralisou as operações das fábricas durante semanas, com graves consequências financeiras para o grupo. Mais recentemente, perturbações causadas pela guerra envolvendo o Irão e um incêndio nas instalações de um fornecedor importante levaram a números de vendas mais baixos.
Sob a liderança de PB Balaji – que assumiu o cargo de principal executivo da Jaguar Land Rover em novembro -, a empresa está a concentrar mais esforços nos EUA. Esta fechou um acordo com a rival Stellantis para desenvolver carros em conjunto naquele território. Isto poderá, no futuro, abrir caminho para o acesso a instalações de produção nos EUA. Os cortes de empregos representam um revés para o novo primeiro-ministro, Andy Burnham, que procura revitalizar a indústria automóvel britânica.